Comandante que suspendeu repasse de informações à população será homenageado por vereadores


Atendendo a uma propositura do vereador Olimpio Oliveira (PMDB), a Câmara Municipal de Campina Grande vai conceder o título de cidadania na próxima segunda-feira, 11, ao coronel Almeida Martins, comandante do Policiamento Regional 1 (CPR1) da Polícia Militar. Até o momento, apenas o convite para a solenidade foi divulgado, sem justificativas quanto às razões da homenagem.

A notícia da entrega da honraria causou profundo mal-estar na imprensa de Campina Grande, tendo em vista que Almeida Martins foi o responsável pela suspensão do repasse de informações da Polícia Militar aos veículos de comunicação, deixando a população da cidade alijada do acesso aos dados sobre ocorrências policiais atendidas pela corporação.

Até a chegada de Almeida Martins, o Centro de Operações Integradas da Polícia Militar (Ciop) repassava diariamente à imprensa um boletim com os registros de casos atendidos pelos policiais, que iam de furtos a homicídios. Aparentemente insatisfeito com o trabalho dos profissionais da comunicação, o comandante regional decidiu suspender o boletim e o acesso a qualquer informação junto à PM tornou-se um calvário.

CONSTRANGIMENTO

Além da medida, profundamente criticada inclusive por vereadores na própria Câmara Municipal, Almeida foi alvo de uma nota do Sindicato dos Radialistas da Paraíba e da Associação Campinense de Imprensa que, em outubro, acusaram o comando regional da PM de tentar constranger os comunicadores da cidade.

“Na missão de cumprir com o papel de bem informar a sociedade sobre os fatos da área policial, jornalistas e radialistas têm sido frequentemente confrontados pelo Comando Regional de Polícia Militar, que não aceita a verdade dos fatos e, numa esdrúxula inversão de papéis, tenta imputar à IMPRENSA o quadro de insegurança que se instalou na região, afligindo todas as camadas sociais”, dizia trecho da nota (leia o documento na íntegra aqui).

“Adotando uma estratégia policial que a sociedade, por seus diferentes segmentos, identificou não funcionar, a Polícia Militar não tem conseguido conter a onda de violência instalada em Campina Grande e procura constranger a IMPRENSA, que simplesmente registra e divulga os fatos que estão à vista de todos e lamentavelmente se integraram ao nosso cotidiano”, dizia outro trecho da nota.

Pelo histórico da relação do comandante do CPR1 com a imprensa – cuja limitação ao acesso a informações de interesse público é extremamente prejudicial à sociedade – a homenagem prestada pela Câmara de Vereadores ao coronel foi recebida com perplexidade por jornalistas e radialistas de Campina Grande. 

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