Hoje eu tô com a moléstia dos cachorros
Hoje eu tô é com a gota serena
Tô mordido dos porcos, da pustema
Tô danado, atacado dos ferrolhos

Tô a fim de arrumar uma confusão
De dizer pra alguém: “Vá se lascar!!!”
E se o tal achar ruim, vamo embolar
Num cacete de fazer tremer o chão

Hoje eu num respeito nem patrão
Se me encher, mando logo se explodir
E, querendo, pode até me demitir
Aproveito e na fuça meto a mão

É assim, tô com a mulinga de verdade
Comendo a casca e jogando a banana
Invocado, que nem bato a pestana
Querendo que se lasque a humanidade

E se você que tá lendo não gostar
Vá se danar, você e sua raça!
Só não venha me encher e não me faça
Precisar mais ainda engrossar

Mas, se quiser, pode vir, você vai ver
Em sua cara eu desconto minha ira
De seu couro tiro uma boa tira
Frito, salgo e lhe dou para comer

E agora já chega de fazer
Essa tal invenção de poesia
Vou atrás de arrumar com quem moer
Porque pra matar ou pra morrer
É uma encrenca que eu quero pra esse dia!!

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Não sei precisar quando fiz essa poesia. Mas, no dia a dia desse mundo velho e mau (e, cá para nós, lotado de gente safada), não é raro lembrar-me dela