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Carta aos que chegam: Ninguém é dono do poder; não seja o poder seu dono

A lição da História é farta e veemente, embora muitos não queiram aprender. Reis são destronados e alguns, além da coroa, até a cabeça perdem; ditadores vão para a forca; imperadores, defenestrados, viram párias no degredo.

No Brasil, Getúlio Vargas foi inquestionável, mas morreu atirando no próprio peito. Lula, após subir ao poder, viu-se o dono do mundo, mas acabou num xadrez, um condenado salvo do cárcere pelo casuísmo do Judiciário.

Na pequenina Paraíba, João Pessoa julgou-se o tal, até sucumbir aos balaços de João Dantas. Cássio Cunha Lima era o invencível, mas hoje em nada influencia os ditames da política. Ricardo Coutinho, outrora um deus feioso e quase onipotente, hoje é mero ninguém, exceto as contas que têm que prestar à Justiça.

Isso para não falar no americismo, no argemirismo, no braguismo, no gondinismo, marcas de homens que um dia foram tidos como donos do poder e, no entanto, vivenciaram o declínio, a irrelevância, a obsolescência implacável.

Chegou janeiro e, com ele, milhares assumem cargos nesse país tão grande: prefeitos, vices, vereadores, presidentes de câmaras. Nesse mar de gente, embebedados sob os aplausos, não são poucos os que se embriagam na sensação tola e torpe de deter o poder.

A vaidade humana é um estratagema quase infalível. Quem não se encanta com o culto ao próprio ego? É difícil não cair no enredo. É difícil separar os gestos verdadeiros dos acenos interesseiros. Difícil assimilar que a crítica gratuita ainda é melhor que o elogio pago.

O poder passa rápido. Mas, as suas consequências ficam. Não são poucos os que saem menores. São muitos os que nunca mais terão paz. São tantos os que descobrirão que quanto mais alto, maior a queda.

Dono do poder, ninguém é. É preciso diferenciar a pessoa e a instituição, o cargo. Controlar o ego será um desafio de cada amanhecer e anoitecer. Do contrário, o pior: permitir que o poder se faça seu dono.

Nesse estágio, os efeitos serão desastrosos. É assim que nascem os deslumbrados, os ridículos, os patéticos, os arrogantes, mas também os autoritários, os violentos, os corrompidos, os criminosos.

Gradualmente, passam a se sujeitar a tudo, no anseio insano de servir ao seu dono, seu rei, seu ditador, seu deus: o poder.

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