Opinião: O que diz o silêncio de Tovar sobre as estocadas de Ivonete?


Quem cala diante de uma provocação aguda deixa de reagir, via de regra, por um destes três motivos: ou consente, ou despreza o interlocutor ou receia as consequências de uma resposta. Faz uma semana que a vereadora Ivonete Ludgério (PSD), presidente do poder legislativo municipal, desancou publicamente o deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB), pré-candidato do seu grupo à Prefeitura de Campina Grande.

Mesmo diante do calibre dos projéteis disparados por Ivonete, o parlamentar licenciado, que ainda está à frente da Secretaria de Planejamento e Gestão do Município, nada respondeu. Ocorre que, em política, nada dizer pode dizer muito. Logo, o que significaria a opção do tucano por ficar de bico fechado?

Consentimento, claro, não é. Desprezo, aquele sentimento de que o contendor simplesmente não vale a pena, não merece resposta, não parece ser o caso. Por eliminação, a terceira hipótese, ou seja, de receio, é a mais provável.

Haveria motivos para que Tovar receie responder às acerbas críticas de Ivonete? Sim. Um deles, entrar no terreno para o qual está sendo chamado. O tucano, que é discípulo de Romero Rodrigues, teria avaliado que trocar farpas através de redes sociais ou via imprensa não acrescenta nada ao seu projeto de candidatura e, assim, só interessaria à estratégia da antagonista.

Logo, só teria a perder com uma briga que romperia o clima monótono da sequência do processo, ambiente morno que é sempre favorável para um eventual candidato de base governista.

Além disso, mesmo que favorito de Romero, ainda há muita água – talvez turva – a passar por debaixo da ponte até a escolha do candidato. Assim, entrar numa batalha autofágica pode catalisar outros briguentos numa hora e momento que não são os mais adequados para uma guerra encarniçada, se é que existe instante mais propício para tanto.

No mais, o tucano sabe que o papel de comandante do processo sucessório no grupo do governo cabe a Romero. E Romero, que na primeira campanha repetia um bordão de não ser “brigado com ninguém”, já deu sinais de dominar a arte da guerra que termina em armistício antes de haver mortos e feridos. Embora que, para pacificar esse conflito no alto da Serra da Borborema, ele talvez precise mostrar-se quase um Sun Tzu de Galante.

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