Bolinha: "Estado não se planejou para pandemia e penaliza classe empresarial"


A CDL de Campina Grande divulgou nota, assinada pelo presidente da entidade, José Artur Almeida, o Artur Bolinha, que tece duras críticas ao posicionamento do Governo do Estado nesse quadro de pandemia. Leia na íntegra:

Era janeiro de 2020 o ano mal tinha iniciado e os economistas já apresentavam perspectivas positivas para a economia brasileira. Enquanto isso, os principais jornais de todo o mundo alertam para a descoberta de um novo vírus, na China, de alto potencial infeccioso e capaz de provocar uma pandemia. Conforme o tempo ia passando o mundo começava a se preparar para o que estava prestes a acontecer e as projeções econômicas começavam a ganhar novos rumos.

Paralelo ao que ocorria no restante do mundo, na Paraíba as notícias que eram manchetes nos jornais falavam sobre a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MPPB) contra 35 envolvidos na Operação Calvário, que investiga um esquema criminoso responsável por desviar dinheiro público (mais de R$134 milhões) destinado à gestão de unidades de saúde.

Os dias se passaram e o alerta feito ainda no mês de janeiro por médicos infectologistas acabou se tornando real. O mundo passou a viver um risco de colapso econômico provocado pelo recém-descoberto “novo coronavírus”. Os países estados e municípios que se anteciparam ao problema começaram a enfrentar a situação de maneira mais tranquila, dando à sua respectiva população e às empresas as condições de enfrentamento para que após esse período conturbado todos possam voltar às suas vidas normalmente.

Voltamos à realidade do Estado da Paraíba. Nenhuma medida preventiva para o enfrentamento ao novo vírus até então havia sido tomada, enquanto isso, os ex-auxiliares do atual governo seguiam sendo interrogados pelo MPPB e estampando as manchetes dos jornais. Até que, de repente, motivado pelo avanço do novo coronavírus, o governo resolve decretar o fechamento do comércio e de empresas do setor de serviços sem apresentar nenhum plano econômico para o estado.

A ordem passou a ser determinando para que as pessoas “FIQUEM EM CASA”, porém, sem dar a elas o amparo necessário para a condição que passaram a ter: novos desempregados, falidos e endividados. O tempo continua passando e até o momento nenhum plano de retomada foi apresentado pelo excelentíssimo senhor João Azevedo. Não existe uma luz para que os paraibanos possam crer em dias melhores.

Evidenciando o tamanho da incapacidade administrativa de quem está à frente da gestão pública estadual.

E tem um agravante: o secretário de saúde, Drº Geraldo Medeiros, que é pneumologista, esqueceu-se de fazer o seu dever de casa, se antever ainda no mês de janeiro e dotar a Paraíba, em especial a cidade de João Pessoa, de uma infraestrutura hospitalar que não deixasse a população a mingua e muito menos a mercê do problema que estamos passando.

Ao invés de preparar o estado com antecedência ou reconhecer que faltou competência da pasta, o secretário se preocupa em ocupar preciosos minutos da imprensa para inconsequentemente ameaçar pessoas, promover o terrorismo psicológico e a chantagem emocional. Não se podem obrigar as pessoas a ficarem em casa sem dar a elas as condições de se manterem!

A realidade do Estado da Paraíba é apavorante. Comerciantes de empresas de todos os portes estão sendo duramente atacados pelo governo. Não se trata apenas de um problema de falta de gestão. Encara-se também como falta de respeito e de sensibilidade com homens e mulheres que lutaram para investir neste estado, gerar emprego e receita. Em resposta ao clamor da classe empresarial, na calada da noite, o governador João Azevedo decidiu pelo aumento da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de fronteira, pegando de surpresa até os fiscais da receita estadual (Decreto Estadual nº 40.148).

E, como se não bastasse, a Assembleia Legislativa da Paraíba, que poderia estar cobrando atitude mais altiva por parte do governador, decidiu também na calada da noite, aumentar em 60% a verba indenizatória dos deputados estaduais, a chamada verba de gabinete. Saindo de R$ 25 mil para R$ 40 mil. Uma sequência de atitudes repugnantes. Na contramão de tudo e de todos.

Mais uma semana está terminando e o setor produtivo segue penalizado. As empresas continuam se afundando, milhares de postos de trabalho estão sendo perdidos, a economia paraibana chegou a um nível sem precedentes e o governo faz de conta que não vê o que acontece ao seu redor.

Assim como na gestão anterior, que deixou como legado o escândalo que culminou com a Operação Calvário, o atual governo também prefere manter distância de Campina Grande. A segunda maior e mais importante cidade do estado da Paraíba parece estar longe das prioridades do governador socialista. Não existe isolamento social na Rainha da Borborema! Basta ver imagens ou ir até o Centro da cidade para ter a plena certeza de que o que de fato está ocorrendo é um isolamento comercial. A alternativa para minimizar o problema econômico seria a adoção de medidas com o olhar sensível para cada região e não de maneira linear como está sendo estabelecido. Cada região tem uma realidade diferente, governador e secretário.

A COVID19 poderia ter matado menos paraibanos se não tivesse acontecido a farra com o dinheiro público destinado aos hospitais e investigada pela Operação Calvário. O Estado poderia estar numa situação mais confortável se o dinheiro usado supostamente em campanhas eleitorais tivesse, de fato, sido investido em ampliação de leitos hospitalares e aquisição de equipamentos que poderiam estar sendo usados nesse momento crítico pelo qual estamos passando. Não podemos arcar com esses prejuízos sozinhos.

Artur Bolinha
Presidente da CDL Campina Grande

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