Opinião: Na Paraíba, o rei não precisa de coroa; basta a caneta


Não faz um ano que Ricardo Coutinho era praticamente um rei na Paraíba. Líder maior do coletivo girassol, controlava governo e partido com mão de ferro e sua autoridade jamais era questionada. Até mesmo o tom abusado, grosseiro e autoritário era aceito subserviente e silenciosamente.

Ricardo elegeu João, tirado de uma mera secretaria, contando mais com a ajuda involuntária de uma oposição atabalhoada (o principal concorrente tinha como credencial ser gêmeo do prefeito da capital!) que com eventuais méritos políticos do ungido.

Coutinho ainda ajudou a eleger uma bancada de deputados estaduais e um senador. Acreditou, certamente, que o sacrifício pessoal feito ao desistir de ser ele próprio candidato ao Senado e o reconhecimento ao papel que inegavelmente desempenhou nas eleições seriam recompensados com gratidão quase eterna.

Enganou-se!

Perdido no reflexo distorcido da própria imagem no espelho, o narciso Ricardo Coutinho, que sempre adorou exaltar suas supostas qualidades, engolfou-se na ideia de ser ele o objeto de adoração dos súditos socialistas, incapaz de entender que o rei na Paraíba não precisa de coroa ou cetro, basta a caneta.

E perdida a caneta em 1° de janeiro, demorou muito pouco para Ricardo sentir na pele que – rei morto, rei posto – a política paraibana cultua o poder, e não seus ocupantes transitórios.

João Azevedo, que parece ser figura mais amena que o ex-governador, é o rei da vez. Seu porte político ainda está em construção e é difícil saber que idiossincrasia demonstrará, por exemplo, no processo eleitoral que se avizinha - e que muito dirá sobre o novo dono da opulenta Granja Santana.

Ricardo, por enquanto, ainda não é um completo plebeu porque das vestes reais de outrora ainda mantém a expectativa do poder, talvez a ser reconquistado pelo trono de Filipéia. Não fosse tal, já estaria de todo – e por todos – renegado.

Nestas aventuras, o certo é que algumas realidades infalíveis vão se confirmando no pequeno e pobre reino tabajarino: o aliado de hoje será o antagonista de amanhã de Ricardo Coutinho; o poder atrai os políticos como a carniça atrai os vermes; e nada há de novo e de nobre nas crônicas da Paraíba.

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