Médico não pode esconder do paciente sua real condição de saúde, diz CRM


A morte do cantor Roberto Leal acabou trazendo à tona uma discussão delicada: pode o médico deixar de dizer a verdade ao paciente sobre sua real condição de saúde? O artista, que encontrava-se em fase terminal de um câncer, morreu sem saber a verdade, segundo revelou à imprensa um dos seus filhos.

A família teria decidido não revelar a Leal seu prognóstico, por entender que essa informação apenas pioraria seus dias restantes de vida. Mas, e quanto ao direito do próprio paciente? As pessoas devem ou não ter a certeza de que serão informadas pelos médicos sobre sua saúde? É certo negar à pessoa a informação de que ela está morrendo?

Em entrevista à Campina FM nesta segunda-feira, 23, o vice-presidente estadual do Conselho Regional de Medicina foi enfático. “É direito inalienável do paciente ter conhecimento da sua condição de saúde”. Segundo Henriques, “a única condição em que o médico não deve comunicar o paciente sobre seu real estado é naquela condição em que o paciente não goze de suas plenas faculdades mentais”.

“O princípio bioético da autonomia diz que você deve comunicar ao paciente sua real condição. Claro que isso exige todo um preparo para a forma de comunicar, que não pode ser de uma maneira que isso possa abalar psicologicamente o paciente ainda mais do que ele já estaria abalado, e para isso existem formas de fazer essa comunicação”, prosseguiu o vice-presidente do CRM.

POSSIBILIDADE DE PUNIÇÃO

“O médico que deixa de informar ao paciente uma situação que é do total interesse desse paciente está cometendo uma infração ética. Se por acaso o paciente fizer uma denúncia, será aberta uma sindicância, uma investigação, com todo o direito de defesa ao médico que, no final, poderá ser punido do ponto de vista ético”, concluiu Antônio Henriques.

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