Análise: João Azevedo mostra a “força do cetro” e constrange “ex-rei”


No esforço para se manter em evidência e demonstrar a força de sua liderança, o ex-governador Ricardo Coutinho projetou um ato grandioso para este domingo em Monteiro, um patético “Lula Livre” disfarçado de grito pela transposição. No fim, porém, conseguiu apenas reunir meia dúzia dos principais nomes do PT nacional e de políticos locais, mais uma turba de militantes, numa conta muito aquém dos mais pessimistas cálculos do líder girassol.

O evento foi esvaziado justamente pelo nome que representou o ápice do poderio de Ricardo, João Azevedo, o pacato auxiliar que virou governador destroçando adversários ainda no primeiro turno. E que, na sina inevitável de todos os que se aliam a Coutinho, há semanas se vê no processo de tornar-se (mais um) adversário do ex-mandatário.

Acostumado a ver sua vontade ser ordem, Ricardo Coutinho sentiu na pele neste domingo que, sem o cetro do governo na mão, a boa vontade dos outros não é a mesma. Bastou João Azevedo decidir não ir ao que ele mesmo tratou como “um ato político” e a mobilização perdeu força. Tivesse João ido ao Cariri e convocado seu reino, Monteiro teria ficado pequena para tamanha multidão.

João, porém, tem dado sinais claros de que não pretende submeter seu governo a nenhum tipo de tutela. Reação que era incerta ante a mais que certa ação de Ricardo. Ricardo que, não por acaso, teria dito à imprensa pessoense arrepender-se da não candidatura ao Senado, onde hoje certamente estaria, e que, mesmo que não admita ainda, deverá buscar o caminho de volta da abastada Granja Santana fazendo escala temporária na prefeitura da capital.

Até lá, porém, precisará conviver com o desafio de tentar se manter em evidência mesmo sem cetro nem trono e, possivelmente, sem ao menos ser amigo do rei.

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