Editorial: O jornalismo e sua função social de questionar discursos oficiais - jamais de confirmá-los


Na edição desta terça-feira do Jornal Integração, o ouvinte conferiu queixas, críticas, denúncias e reclamações de entidades, pessoas e segmentos contra a Prefeitura de Campina Grande, o Governo do Estado e o Governo Federal.

Em cada uma e em todas elas, o jornalismo da Campina FM traz a informação, a abordagem do problema por quem o revela, sem, necessariamente, um juízo de valor da nossa parte, nem favorável, nem contra.

É o exercício do jornalismo como instrumento que dar voz a todos. É o exercício do jornalismo como elo ligando a sociedade civil aos governos, na transmissão de demandas, na condução de temas relevantes.

É o exercício prático do jornalismo como ferramenta de questionamento aos gestores. Sim, porque o mister essencial do jornalismo é questionar os discursos oficiais, e não legitimá-los.

Questionar não significa desmentir; não significa pôr em dúvida; não significa se opor. Questionar é ser instrumento de controle social, controle da sociedade sobre a gestão.

Porque o povo precisa saber de tudo. O povo tem o direito de saber de tudo. Mais que isso: o povo tem mesmo é o dever de buscar saber de tudo. E a imprensa é e deve ser os olhos, os ouvidos e a voz do povo, da sociedade.

Os governos, por seu turno, independente de quem os ocupe, têm o dever – e tão somente o dever – de dar as respostas, todas as respostas, até às perguntas que não foram feitas.

Não há, portanto, questionamentos inapropriados ou indevidos quando endereçados aos governantes. E quem pensa governar sem se submeter a esse princípio, que mude de ideia ou de atividade, curvando-se a tais regras inalienáveis ou deixando a administração pública e indo cuidar da sua vida privada.

Quando o jornalismo se propõe a legitimar discursos oficiais, degenera a natureza da sua função social. E é por isso que fazer jornalismo não é apenas falar em um microfone, aparecer na frente de uma câmera, escrever para um jornal ou website.

Fazer jornalismo é cumprir um desiderato de complexa, profunda e intrincada essência para o equilíbrio de uma nação, de um estado, de uma cidade.

E quando questiona os discursos oficiais, o jornalismo promove, inclusive, o papel social de lembrar aos agentes administrativos e políticos aquilo que eles, na verdade, são, ou deveriam ser: servidores da sociedade, a serviço da sociedade e pelo interesse da sociedade.

E são somente isso, e nada mais.

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