Menudos, Caetano e a evolução involutiva da humanidade. Não se reprima, é proibido proibir


Na década de oitenta, o fenômeno latino Menudos bateu as paradas de sucesso com um refrão que colou na cabeça das pessoas: “Não se reprima”. Duas décadas antes, Caetano Veloso tomou uma vaia pesada no Festival Internacional da Canção, em São Paulo, ao defender a música “É proibido proibir”.

Da vaia a Caetano, passando pelo requebrado frenético dos Menudos, muito tempo já se passou. Mas, o mundo moderno e as filosofias que o regem tornaram atualíssimas a ideia do “proibido proibir” e do “não se reprima”.

Chegamos ao tempo em que homens e mulheres são servos das suas vontades, em que o ser humano não julga mais ser necessário controlar seus impulsos pela força de conceitos limitadores, como a moral e a ética.

E isso não se refere apenas à vida privada, mas, sobretudo, aos preceitos de vivência em sociedade. Os limites necessário à convivência pacífica cada vez mais são demolidos, afinal, se o indivíduo julga que não tem que dar satisfação à própria consciência, haveria de se importar com os outros?

Não se reprima. É proibido proibir.

O resultado é que, na era do politicamente correto e da retórica fabricada sobre respeito, cada vez menos as pessoas se respeitam. Essa realidade é visível no submundo das redes sociais, no trânsito e em todos os espaços do cotidiano.

E nesse ambiente de “libera geral”, de proibição à proibição, ai de quem criticar atos e condutas. Pelo contrário, o indivíduo vítima da sua própria existência sem freios e limites é visto como intocável, quase mártir, quase herói.

O sujeito bebe e dirige, mas, não o critiquem! Afinal, quem nunca fez o mesmo? O pai e a mãe entregam ao filho menor uma moto, a arma que tirará sua vida? Tenhamos mais amor e não os critiquemos.

O estudante dá na cara da professora. Calma! Ele deve ter um passado de vítima da violência. O tal “de menor” estuprou, torturou e matou? Epa! Ele é inimputável, não tinha consciência dos seus atos. E o ladrão? Vítima da sociedade.

Ninguém mais pode ser responsabilizado por seus atos. Estamos, por certo, numa nova fase da escala evolutiva. A da involução. O homem voltando ao estado de animal, sem limites morais, sem culpas, sem freios, sem limites. Escravo dos seus ímpetos, das suas vontades. Um bicho.

Alguns, por sinal, de menores monstros a bandidos do colarinho branco, já avançaram ao estado de meros vermes. E o futuro da espécie, nesse “progresso involutivo”, só pode ser incerto e tenebroso.

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