Adoradores de um político às voltas com a justiça cobram “imparcialidade” de quem não professa sua religião


Diante do agravamento do quadro político do presidente Michel Temer, completamente desgastado pelo envolvimento em denúncias de corrupção ativa e suspeitas de tentar obstruir as investigações, um discurso sabidamente equivocado vem ganhando corpo.

É o daqueles que jogam sobre os brasileiros que foram favoráveis ao impeachment de Dilma a responsabilidade pelos atos de Temer, e que cobram destes uma reação mais efetiva, como as história das panelas, de denúncia contra o peemedebista.

Trata-se de uma estratégia típica de um certo segmento político e dos seus incondicionais seguidores. Esse grupo sabe que tal discurso é ilegítimo, mas, ainda assim dele fazem uso fartamente porque a tática do mencionado segmento em nada se preocupa com questões éticas como a verdade, focando tão somente nos resultados desejados, principalmente a defesa dos seus líderes e ídolos políticos.

O discurso é ilegítimo por dois aspectos claros. Primeiro, porque Temer e o PMDB não representam o oposto de Lula, Dilma e o PT. Na verdade, são todos farinha do mesmo saco, e estiveram unidos no processo de mais de 12 anos de desmonte da nação. PT, PMDB e seus próceres são unha e carne, corda e caçamba, testo e panela, Romeu e Julieta, Bonnie e Clyde, Tumé e Bebé.

Estiveram unidos por mais de uma década, solidificando todo o processo de montagem do maior esquema de corrupção que já assolou esse país, além da estratégica desconstrução dos paradigmas culturais e morais fundamentais ao bem-estar de um povo.

Romperam apenas e tão somente quando viram o fracasso adiante, consequência inevitável dos atos que executaram juntos. E nessa hora, o pacto que celebraram foi desfeito em favor da busca de cada um pela sobrevivência. Naquele instante, o PMDB aproveitou-se do fato de o PT sucumbir ao seu próprio protagonismo. Mas, tal vantagem não poderia estender-se ad infinitum.

O segundo aspecto da ilegitimidade do discurso de tais setores é tanto quanto óbvio. Ao acusassem aqueles que foram favoráveis ao impeachment de Dilma de conivência com os atos de Temer, assim como do playboy mineiro Aécio Neves, buscam, na verdade, jogar sobre os outros uma prática tipicamente sua – deles.

A defesa inexorável de figuras políticas submersas na lama é uma atividade típica e evidente dos adeptos do lulopetismo. É nítido que, de um lado, estão aqueles que querem investigação e punição para todos, e, do outro, aqueles que condenam previamente a todos, todos menos o ex-presidente Lula.

Para estes, o lulismo é religião de caráter infalível e nenhuma evidência, contradição ou prova os fará acreditar que o deus que adoram tem os pés de barro. E são estes, logo estes, que cobram coerência e autocrítica àqueles que – maioria das maiorias nesse país – querem de fato ver a nação passada a limpo.

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