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Saúde, educação, presídios e uma questão de prioridade


Casos de violência extrema, como os que marcaram o Lar do Garoto no final de semana passado, e como aqueles registrados em presídios do Amazonas e Rio Grande do Norte tempos atrás, sempre trazem à tona os debates sobre a superlotação das unidades prisionais no Brasil.

As penitenciárias são sucateadas, com infraestrutura precária, recursos humanos insuficientes e tendo como marca um número de internos muito maior do que permitiriam suas capacidades nominais.

Mas, o problema aí é que esse panorama pode ser plenamente utilizado para se referir a outras áreas do atendimento público no Brasil.

Somos um país em que há escolas caindo aos pedaços, com salas de aula cheias demais, falta de professores e técnicos, uma realidade alarmante de precariedade.

Somos um país em que os hospitais, digam o que quiserem os gestores, são todos superlotados, com seres humanos sofrendo dores e tratados como indigentes, condições estruturais e técnicas obsoletas e profissionais despreparados – sobretudo para lidar com seres humanos.

Logo, se o dinheiro não dá para a saúde e a educação, como seria suficiente para construir e equipar presídios? Qual destes três segmentos seria prioridade?

A resposta a essa pergunta é óbvia, e mostra claramente que o problema só vai continuar se agravando.
É triste e lamentável ver seres humanos amontoados dentro de celas, vivendo em condições inaceitáveis, sobretudo por sabermos que nem todos ali são indivíduos monstruosos ou irrecuperáveis.

Aliás, o pior é isso. O sujeito que praticou um delito esporádico e aquele criminoso contumaz ficam ali, jogados no mesmo ambiente, um fato que, apenas por si, faz da punição aplicada uma injustiça, porque, independentemente do tempo da pena, jamais os dois tipos deveriam estar juntos e amontoados.

Entretanto, é mais triste ainda ver crianças amontoadas em salas de aula de escolas que condenam a maioria delas a um futuro sem perspectivas de mudanças de vida.

É muito mais terrível ver seres humanos morrendo à mingua nas portas dos hospitais, como se a vida nada valesse.
E enquanto o país não resolver esses dois problemas, seria tanto mais indecente e impensável resolver aquele outro.

Mais que isso, seria desumano. 

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