Escola sem Partido em Campina Grande: responsabilidade da retirada do projeto é apenas do vereador autor?


Não caiu bem a decisão do vereador Alexandre do Sindicato, do PHS, de retirar o projeto que havia apresentado propondo a aplicação na rede municipal de educação dos princípios da chamada Escola sem Partido.

Criticada veementemente por segmentos de esquerda, que distorcem o objetivo do projeto, classificando-o como “mordaça”, o desiderato da Escola sem Partido é de caráter essencial, porque objetiva, na verdade, impedir que professores transformem a sala de aula em espaços de imposição ideológica.

Esse tipo de prática, em que professores, valendo-se da sua posição em sala de aula, buscam empurrar goela abaixo em alunos, inclusive crianças pequenas, conceitos unilaterais sobre política, família e sexualidade, nada tem a ver, portanto, com censura.

Muito pelo contrário. Tem a missão de impedir uma violência, uma arbitrariedade, um crime, em que estudantes, sobretudo de escolas públicas, são subjugados por docentes e suas ideologias, inclusive subvertendo a autoridade da família e a liberdade de opinião e pensamento dos alunos.

Mesmo entre discentes de períodos mais avançados e até dentro das universidades, a realidade de professores que deixam de priorizar a ministração das matérias sob sua responsabilidade para impor – e essa palavra precisa ser sempre destaca, impor – ideologia é um ato que requer repúdio e reação da sociedade.

Não são poucos os testemunhos de estudantes perseguidos dentro de faculdades por professores de esquerda, atacados, humilhados, ridicularizados, sobretudo aqueles que professam uma religião ou manifestam posição política distinta dos ditos mestres.

É preciso pôr um freio nesse tipo de barbaridade, e a iniciativa de estabelecer regras claras nesse sentido, sobretudo quando nos referimos a crianças pequenas, representa uma necessidade urgente.

Por isso mesmo, o recuo de Alexandre do Sindicato, decerto diante de muitas pressões (embora não o admita), é lamentável. Mas, seria cinismo responsabilizar apenas o parlamentar do PHS.

Quantos parlamentares católicos e evangélicos o apoiaram abertamente? Quantos ditos conservadores garantiram suporte? Quantos subscreveram o projeto por ele apresentado? Quantos vieram a público defender a proteção às nossas crianças? Eu não vi tal gesto de nenhum sequer.

O recuo do vereador Alexandre do Sindicato é algo a se lamentar. Mais ainda, porém, há que se lamentar o silêncio dos demais, daqueles que em tempos de campanha prometem veemência contra certas imposição, e depois, oportuna e oportunistamente se calam. Covardemente se calam.

E se todo mundo se cala, quem fala parecerá ser senhor da razão. Mesmo que esteja muito longe disso.

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