A pequenez de Temer, um capitão que prefere afundar o navio para tentar sobreviver


Um dos trechos que mais chamaram a atenção na conversa gravada do senador afastado Aécio Neves com o dono da JBS, Joesley Batista, foi quando o tucano criticou duramente o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio.

Para Aécio, Serraglio era fraco por não conseguir conter o ímpeto da Polícia Federal. Ele chegou, inclusive, em falar sobre a necessidade de o ministro direcionar as investigações da PF para as mãos de delegados escolhidos a dedo.

Na conversa, Aécio diz a Joesley que tratou do assunto com Temer, e dar a entender que o presidente também estaria insatisfeito com a atuação de seu auxiliar.

Neste fim de semana, veio a notícia: Temer decidiu tirar Osmar do Ministério da Justiça, que será entregue a um aliado fiel, veemente, influente, eloquente e impetuoso, Torquato Jardim.

Para a oposição, com a medida, Temer não nomeou um novo ministro, mas, na verdade, um advogado.

Para a Polícia Federal, resta a preocupação, anunciada em notas de entidades representativas dos agentes e delegados, do comprometimento do trabalho desenvolvido.

Até porque, a PF está subordinada ao ministro da Justiça, que é conhecido por uma visão crítica da Lava Jato.
Em suma, temos um ambiente com fortes indicações de que o presidente da República, investigado que é, fará uso de todos os recursos que estejam ao alcance das suas mãos para se manter no cargo.

E há muitos recursos ao alcance da sua caneta.

Temer, em verdade, só poderá governar pela força dos atributos do cargo, porque ele mesmo está despido das mínimas condições exigidas para quem incorpora o cargo que exerce.

Seu diálogo com Joesley Batista representa uma conduta inapropriada, um flagrante vexatório e comprometedor. A renúncia teria sido o único caminho digno para o peemedebista.

E um único raio de esperança para o fim de uma turbulência que sacode as estruturas já debilitadas da nação, inclusive no campo econômico.

Uma dignidade que Michel Temer demonstrou não ter. Pelo contrário, revela disposição de se debater, com uso do que estiver às mãos, para não submergir completamente.

Nem que para isso acabe afundando o Brasil.

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