Politicando: "Tributo para o sonho"


A crise que assola o país não perdoa ninguém e conseguiu ressuscitar, além da inflação, do desgaste da imagem do país no cenário internacional e de uma preocupação angustiante com o futuro, a carestia desembestada.

Os aumentos nos preços de tudo passaram a fazer parte da rotina desde o ano passado. Tão logo a presidente Dilma Rousseff venceu as eleições e tomou posse para o segundo mandato, parece que abriu uma verdadeira caixa de Pandora.

Evidente que incontáveis tarifas encontravam-se deliberadamente contidas para evitar a perda das eleições. Uma bolha que foi estourada tão logo a garantia de mais quatro anos se configurou nas urnas.

E os efeitos do estouro ressoam até agora, sem dar sinais de quando cessarão e, para nossa dor de cabeça, ameaçando piorar no ano que começou.

A conta de energia passou a provocar choque, chegando a dobrar para muitos consumidores. A água que falta na torneira transbordou em reajustes. A gasolina sobe semana após semana.

O reflexo é sentido no carrinho do supermercado e, consequentemente, na mesa das pessoas. E a alta do salário mínimo passa a mal disfarçar a explosão inflacionária e não pode reverter a corrosão do poder de compra.

Mesmo porque, a inflação real, aquela que o consumidor sente na padaria, no açougue, no caixa do supermercado, essa se apresenta bem mais violenta que aquela ilustrada nos números frios do IPCA.

De qualquer forma, é sempre oportuno registrar que ainda há quem, numa defesa fundamentalista apaixonada de um governo que nem sequer muitos governistas conseguem defender nesse aspecto, ironiza a existência de uma crise.

Para isso, há quem aponte notícias isoladas de algum crescimento de certo nicho de mercado ou até fotos de pessoas em shoppings. Aliás, sobre esse último caso, é fato notório que os shoppings podem estar lotados, mas isso não representou alta, afinal, em 2015, o setor sofreu queda nas vendas.

Ou seja, tem pouca gente comprando e muita gente indo passear, ver vitrine e comprar casquinha de sorvete, tirar foto e colocar no Facebook e Instagram, afinal, nas redes sociais ninguém é feio, nem ignorante, nem muito menos liso.

E, ademais, ninguém paga apenas para olhar vitrines e alimentar desejos. E, ao menos por hora, o Palácio do Planalto não se propôs a tributar os sonhos.

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