Opinião: Homenagem mal vinda


Na edição de hoje do Politicando*, nossa intenção era comentar a polêmica sobre o projeto de lei que regulamenta a terceirização no Brasil. O tema pautou o Debate Integração do último sábado e é uma discussão importante e necessária.

No entanto, um fato também digno de registro e reflexão nos faz voltar a comentar a lamentável partida do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Campina Grande Mário de Souza Araújo, que foi sepultado ontem no cemitério do Monte Santo.

Vamos aos fatos. A morte de seu Mário consternou, como não poderia ser diferente, toda a cidade, sobretudo aqueles que conhecem a importância que o gentil ex-político tem para a história da nossa querida urbe.

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, ainda no domingo, horas após o anúncio do passamento de Mário, lamentou a irreparável perda e decretou luto oficial de três dias. A presidência da Câmara Municipal também divulgou nota expressando o pesar pela morte do ex-parlamentar.

Até mesmo o Governo do Estado, tomando ciência da dimensão da perda que enlutou a Rainha da Borborema, suspendeu importante evento, a inauguração do condomínio Cidade Madura, que teve a solenidade adiada para esta terça-feira.

Diversas instituições e entidades divulgaram notas de pesar pela partida do “irmão de Félix Araújo”. Entretanto, houve uma homenagem, que inclusive está sendo prestada hoje, que certamente não é bem vinda e que, sem dúvidas, não se coaduna com a personalidade de Mário, de sorte que não o agradaria.

Para entender por que, é preciso lembrar que o ex-vereador, ex-presidente da Câmara Municipal e ex-secretário da prefeitura e do Estado foi um homem trabalhador, que até quando podia gozar a folga da aposentadoria evitou o ócio – apesar de ser o descanso um direito seu legítimo após uma vida de trabalho.

Eu mesmo testemunhei essa característica quando em duas ocasiões entrevistei seu Mário, a primeira em 2009 e a segunda em 2011. Na mais recente, o homem, já com seus 87 anos, insistia em sair da sua casa no Ponto Cem Reis para se dirigir até o escritório no Edifício Lucas.

Pois ocorre que a Câmara Municipal, seguindo um hábito que não é de hoje, resolveu ampliar o decreto de luto, que via de regra é simbólico, com manifestação oficial e bandeira a meio mastro, e achou de homenagear seu Mário decretando a suspensão do expediente nesta terça-feira. Não vai haver sessão.

Não é, decerto, uma homenagem bem vinda, ainda mais para um trabalhador. A melhor homenagem a seu Mário seria justamente trabalhar, e não tirar o dia de folga sob uma justificativa de luto que inevitavelmente soa como pretexto mal engendrado.

Isso, senhores vereadores, não promove honra nenhuma e, além do mais, é vexatório, feio e patético.

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* O "Politicando" é o quadro de opinião do Jornal Integração da Campina FM

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