CNPq aprova projeto da UFCG para estudo dos homicídios no Nordeste Brasileiro


O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aprovou no último mês de novembro o projeto O panorama dos homicídios no Nordeste Brasileiro – 2000/201, de autoria do professor José Maria Nóbrega Júnior, do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido (CDSA), da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), campus de Sumé.

O estudo será realizado durante dois anos pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEVU), da UFCG, e visa analisar os motivos do aumento do número de homicídios nos últimos anos na região Nordeste e por que a queda da desigualdade social na região não está sendo refletida na diminuição da violência.

De acordo com Nóbrega, a cidade de Campina Grande, na Paraíba, viu seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) saltar de 0,476 em 1991 – considerado muito baixo pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – para 0,720 em 2010 – desenvolvimento humano municipal alto, segundo o mesmo PNUD, com crescimento percentual de 51.2% em vinte anos, mas neste mesmo período os homicídios tiveram um incremento percentual de 95,5%, onde a taxa de homicídio foi de 24,8 em 1991 saltando para 48,5 em 2010.

"Isso é um paradoxo, pois o IDHM leva em consideração aspectos fundamentais do desenvolvimento humano, como a melhoria da economia, a inclusão social pela educação, a longevidade e a qualidade de vida, e a melhoria da renda. Variáveis importantes que foram colocadas pela literatura sociológica como fundamentais para a diminuição da violência", explica.

Dessa forma, o projeto caminha no sentido de trazer luzes ao debate da violência homicida no campo da Ciência Política, desenhando soluções para as políticas públicas, com destaque para a Segurança Pública, verificando no teste causal das variáveis socioeconômicas e institucionais o que realmente importa para o controle desse mal social que vem assolando os nordestinos há mais de dez anos.

"Sem dúvida alguma, a violência é o maior problema a ser enfrentado pelos governos nas três esferas da Federação. Urge um pacto federativo em torno dos estados nordestinos, onde a sua singularidade é mostrada em números", ressalta Nóbrega, afirmando ainda que “é impossível falar de sustentabilidade sem levar em conta a segurança pública, sem levar em conta a integridade física do indivíduo, sem levar em conta a saúde e a educação dos indivíduos em um ambiente de paz, segurança e tranquilidade. A realidade de violência endêmica encontrada hoje no Nordeste torna impossível a sustentabilidade da sociedade”, diz.

Assessoria

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