Especialista aponta semelhanças no impacto da seca em áreas urbana e rural

Os problemas causados pela extensão da estiagem nos últimos anos têm afetado além das áreas rurais, principalmente do Semiárido brasileiro, também os espaços urbanos. Essa foi a análise do pesquisador Otamar de Carvalho, que proferiu a palestra de abertura do 2° Seminário de Desenvolvimento Regional, Estado e Sociedade (Sedres), na noite desta quarta-feira (13), no Auditório da Fiep, em Campina Grande. O alerta veio após o especialista elencar fatores que levaram a seca a chegar também em áreas de concentração de pessoas, como é o caso dos grandes centros urbanos.

De acordo com Otamar de Carvalho, é preciso tratar a estiagem da área urbana com a mesma importância que se dá a que atinge os espaços rurais. Segundo ele, o avanço da seca em áreas predominantemente populosas, como as das grandes cidades, se dá pela falha em diversos aspectos de projetos que não foram aplicados nas zonas de campo. “Houve falhas nas estruturas locais e regionais, por isso hoje não somos bem atendidos”, explicou.

Ainda segundo o especialista em desenvolvimento regional, essa questão deve ser pensada como um processo de mudanças em posição de equilíbrio de um sistema, já que ele pode ser alcançado nas esferas local e regional. Para isso, ele aponta que esse desenvolvimento depende de permanentes esforços, organização e negociação.
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“De 1950 a 1980 foram criadas várias instituições que planejaram o combate às secas. Foram pensados programas e planos voltados para o desenvolvimento e muita coisa deu certo. Nas décadas posteriores, até os dias atuais, estamos pensando em uma política de infraestrutura que ainda apresenta dificuldades”, acrescentou apontando momentos históricos.

Otamar ainda afirmou que países como os Estados Unidos e a Austrália estão buscando saídas para as estiagens em áreas urbanas, assim como já vem acontecendo na Europa, com Portugal, Espanha, Grécia e Itália. Ele sugeriu que o Brasil faça o mesmo, uma pode ser drástico o despreparo em questões de sustentabilidade, como é o caso da água.
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“A partir dos resultados que são conquistados nesses locais, o Brasil deveria pensar em perspectivas a partir de estratégias ‘reengenheiradas’ para a reconstrução de entes nacionais, regionais e sub-regionais como eram a Sudene, Sudam, Sudeco, Sudesul, entre outras”, apontou o pesquisador.

Fonte: UEPB

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