Em defesa do imbu

Não são poucos o que julgam que a palavra imbu está fora dos cânones da língua culta. Azedo engano. Embora o termo umbu tenha se tornado aquele usado quase sempre (ou seria sempre?) em situações que requerem linguagem formal, como nos textos jornalísticos, o fato é que dicionários e gramáticos subscrevem o modo como nossos avós já pronunciavam: imbu.

Sim, não umbu ou mesmo embu. Imbu! O fruto da Spondias tuberosa tem seu nome originário da língua tupi-guarani, que designa o imbuzeiro como “ymbu”, cujo significado é “árvore que dá de beber”, por conta da sua capacidade de armazenamento de água. Por que mulesta dos pintos imbu virou umbu na boca dos sabichões, aí eu não sei.

Mas, o fato é que, segundo li em algum lugar por aí, muitos gramáticos defendem o uso da palavra imbu e dicionários, como o Aurélio, reconhecem o termo (tire a prova). Só que esse é um daqueles casos em que, com o respaldo ou não dos oráculos do vernáculo e da norma culta, a alma se recusaria a chamar de outro jeito: seria, de todo modo, imbu, imbu e imbu! E acabou-se!

Não apregoaremos a anarquia do idioma e o vilipêndio público da ortografia. A autoridade do padrão culto da língua deve ser respeitada, claro. No entanto, não com a violência da cultura e o aprisionamento arbitrário e sem julgamento do que é vivo, a língua, pelo que é frio e inanimado, a norma.

É mister, acima de tudo, o bom senso, e, nesse caso, foi o que prevaleceu. Portanto, ilustre leitor, por mais culto e formal que você seja, pode encher a boca no meio da feira: “Dona Maria, me dê um litro de imbu. Sim, de imbu”. Cuidado apenas com o caroço. O bicho entope!

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