Ricardo, Cássio e o gato amanteigado


Dizem que o pão sempre cai com o lado da manteiga para baixo. Dizem que o gato sempre cai de pé. Então, alguém teve a idéia de passar manteiga nas costas do gato e fazê-lo cair. Resultado: o bichano flutuou. A piada é velha, mas foi o que me veio à mente diante dos “furos”, das “bombas”, das “revelações” correntes na imprensa e mídia em geral nos últimos dias, em especulações sobre a eventual candidatura do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) a governador.

Todo dia aparecem manchetes, em tons bombásticos e afirmações completamente opostas: “Fonte revela que Cássio será candidato”, diz uma. “Cássio não entra na disputa e aliança com o PSB será mantida, assegura importante aliado”, garante outra. São inúmeras as variações, tendo em comum, porém, sempre a existência de uma suposta fonte, embora as “revelações” se mostrem inexoravelmente contraditórias.

Eleição após eleição, as cassandras infestam nossa mídia, cada “profeta” com suas descobertas, revelações e bombas, cada qual posando de entendido, influente e bem relacionado. Jornalismo e análise de conjuntura política nada têm a ver com vidência. Achismo e adivinhação não são qualidades louváveis ao articulista político.

Quem não lembra das especulações de 2010, quando uns davam por certa a candidatura de Cássio ao Senado, enquanto inúmeros “furos” apontavam que ele lançaria a esposa à disputa? Quem não lembra das notícias sempre precedidas de exclamações do tipo “Bomba!” ou “Confirmado” anunciando Diogo Cunha Lima como prefeitável em 2012?

Diante de tanta informação desencontrada, de duas possibilidades antagônicas, o que aconteceria se aplicássemos a experiência do gato amanteigado ao caso da coligação PSDB-PSB? Ora, se o bicho, impelido por forças igualmente antagônicas, acabou tendo uma terceira reação, flutuando, seria o caso – e alguns já apontam que sim. Viva as cassandras! – que o senador pode encontrar uma saída terciária.

Ou seja, não manteria a aliança com Ricardo Coutinho, nem seria candidato. Apoiaria outro. E vem daí um não acabar mais de possibilidades, especulações e “revelações”: seria Aguinaldo Ribeiro (PP)? Seria Veneziano Vital do Rêgo (PMDB)? E aí, como fica? Passa manteiga nas costas do gato e joga pra cima!

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