Candidatura de Cássio ao governo seria “saída honrosa” para Cícero Lucena

As razões para que o senador em fim de mandato Cícero Lucena (PSDB) defenda com unhas e dentes a candidatura do também senador e também tucano Cássio Cunha Lima ao Governo do Estado nas eleições do ano que vem são conhecidas do Litoral ao Sertão.

Cícero tem diferenças insanáveis com Ricardo Coutinho (PSB), tanto que, em 2010, apoiou o algoz de Cássio, José Maranhão (PMDB), o homem que, pela via judicial, havia defenestrado o tucano – que, quatro anos antes, garantira a eleição do Cícero – do Palácio da Redenção.

Cícero Lucena chega a essa fase do processo numa condição muito pouco favorável aos seus sonhos de reeleição. Há oito anos, enfrentando a repercussão da chamada “Operação Confraria”, ele teve como concorrente um Ney Suassuna também desgastado pelo escândalo que ficou conhecido como “Máfia dos Sanguessugas”.

Poucos talvez lembrem, mas quem garantiu a vitória ao ex-prefeito de João Pessoa foi Campina Grande. Na capital, sua base, Cícero venceu Ney por uma diferença pouco superior a 2% (ou precisos 6.284 votos), enquanto na Rainha da Borborema a vantagem foi de quase 24%, ou, precisamente, impressionantes 41.619 sufrágios.

Sem uma atuação mais proeminente na Câmara Alta do Congresso e com uma resposta pouco destacada a Campina Grande, ao que se somam outros fatores, Cícero Lucena deve saber que são pequenas as suas chances de reeleição, já devendo, inclusive, ter ouvido conselhos para que concorra à Câmara dos Deputados.

Caso Cássio Cunha Lima saia candidato a governador, seria natural que a vaga de senador da chapa fosse oferecida a um partido aliado. Cícero, assim, “abriria mão” do espaço, “em favor do partido”, numa saída honrosa, ao invés de uma desistência pura e simples ou uma derrota nas urnas.

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