“A história da mulher que roubou para se casar”. Psicose, de Hitchcock, em cordel. Obra de Janduhi Dantas


O poeta Janduhi Dantas tem no bestunto uma capacidade tremenda de converter para a métrica, a linguagem e o estilo próprios do cordel qualquer tipo de expressão cultural, seja uma obra didática, um conto erudito ou até mesmo um filme. “As três verdades de Deus”, uma primorosa adaptação sua do conto “De que vivem os homens”, de Léon Tolstoi, é um belo (literalmente) exemplo.

Outro exemplo? Pois bem. Janduhi Dantas é o autor da conhecidíssima “A Gramática no Cordel”, já reeditada, inclusive, em conformidade com o Novo Acordo Ortográfico, chegando a nada menos que 400 estrofes. Há uns três anos, li “Viagem aos 80 anos da Revolta de Princesa”, obra na qual o poeta revisita, cordelizando (claro!), uma das páginas mais curiosas da irrequieta história paraibana.

Portanto, cá já foram, em dois parágrafos, o clássico, o didático e o histórico, “gêneros” peculiares que Janduhi consegue enquadrar perfeitamente em cordel. Agora, apegou-se a um clássico do cinema, o filme Psicose, conhecidíssima obra de Alfred Hitchcock, que, na mão do poeta, virou “A história da mulher que roubou para se casar”.

Janduhi conta a história em cerca de cinqüenta páginas de saborosa leitura. Mantém os nomes das pessoas e dos lugares no idioma original – inglês – mas sua narrativa, como não poderia ser diferente, é na linguagem própria, sem floreios rebuscados, do cordel. Eis o exemplo, na famosa cena do filme, ao modo narrativo do paraibano:

O chuveiro era agradável
A água saía forte
Parecia ela feliz
Sem saber da sua sorte
Sem saber que ela estava
A poucos passos da morte.

Nisso, a porta se abriu
E um vulto apareceu
‘Fastou com a mão a cortina
Com força a faca desceu
No meio dos peitos dela
Mais de uma facada deu

A leitura de mais essa primorosa obra de Janduhi Dantas é mais que recomendada. Os cordeis do poeta podem ser encontrados nas bancas do Orlando, da Suane (ambas na Praça da Bandeira); no Sebo do Ronaldo, que fica na praça Clementino Procópio; na Livraria Cultura, da Avenida Getúlio Vargas; e também em uma das bancas da Rodoviária Nova. Qualquer dúvida, é só falar direto com o Janduhi: jdantasn@yahoo.com.br.

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