Editorial do Jornal da Rede de 12 de novembro de 2013: "Quem paga"


A política paraibana gira, gira, e os discursos sempre acabam voltando ao mesmo ponto. Os argumentos dos nossos caciques políticos são parecidos e previsíveis. E uma das práticas mais comuns é tratar ações e obras públicas como presentes, benesses resultantes do bom coração dos gestores públicos.

Daí para a briga pela paternidade das obras e programas públicos é um pulo. Quem, afinal, construiu o Hospital de Trauma de Campina Grande? Quem calçou ou asfaltou a maioria das ruas da cidade? De quem será o mérito da duplicação da Avenida Argemiro de Figueiredo? A disputa é acirrada. Não por acaso, o Canal de Bodocongó, última grande obra estruturante da cidade, tem mais pai do que gato.

Essa arenga toda não é outra coisa a não ser produto do coronelismo que ainda marca a política em boa parte do Brasil, sobretudo no Nordeste, onde oligarquias se enfrentam em lutas encarniçadas e promovem rodízios no poder.

No passado, os coronéis permitiam que pais e mães de família sedentos levassem alguns litros de água barrenta dos reservatórios construídos pelo poder público no interior de suas fazendas, com recursos públicos, evidentemente, e exigiam das massas ignorantes a eterna gratidão.

Hoje, o neocoronelismo ampliou as fronteiras e, na boca de alguns políticos, qualquer mão de cal no meio-fio é um presente dado ao povo. Quem deu o presente? Quem prestou o favor? Quem construiu? Quem fez? Quem?! Quem?!

O povo precisa saber que quem fez foi o povo. Quem pagou foi o povo. Quem construiu foi o povo. A obra foi paga, cada centavo, pelos impostos sufocantes que esgoelam a maioria absoluta da nação, inclusive o pobre mais humilde. Impostos quase onipresentes, no alimento, no remédio, no material escolar.

Político não faz favor, não dá presente. Quando trabalha bem, apenas cumpre o que é seu estrito dever. E pronto! Não importa se os recursos vêm do Governo Federal, dos estados ou dos municípios. A origem real é a mesma: o bolso do contribuinte. É o brasileiro que banca tudo, com o suor do seu rosto.

Não importa quem mandou fazer. Não importa quem assinou a ordem de serviço ou descerrou a placa inaugural. Importa quem paga. E quem paga é você, sou eu, somos nós. Quem paga é o povo. O povo, afinal, paga tudo. Tudo! Inclusive o pato.

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