Editorial do Jornal da Rede de 13/11/2013: "O povo e a eterna campanha da Paraíba"

Já se tornou quase que proverbial a declarada paixão do paraibano pela política. Há quem diga que somos uma gente que respira política os doze meses do ano, o que, por sinal, seria, em boa parte, a raiz dos nossos problemas. É verdade que a pobre e heróica Paraíba vive um clima infindável de campanha eleitoral, em que cada eleição vira, de imediato, uma espécie de prévia para a próxima.

É verdade que as especulações sobre quem será o candidato, quem vai trair, quem vai ser traído, quem vai se vender, quem vai comprar, enfim, todo esse reme-reme típico da pré-campanha, aqui, nestas terras tabajarinas, pautam desde os debates na mídia até as conversas de balcão.

É verdade que a paixão que envolve as refregas eleitorais frequentemente extrapola os limites do ridículo e transforma todo o processo em um período insano de intrigas, baixarias e violência. É, da mesma forma, um fato tão verdadeiro quanto triste a divisão do estado em cordões, como se a política fosse igual ao futebol, onde a paixão prevalece sobre a razão e o sujeito torce pelo pior time como se fosse um campeão mundial. É verdade.

No entanto, não se pode dizer, como costumam afirmar os políticos e seus áulicos, que os paraibanos estão clamando por determinada candidatura ou ansiosos pela próxima disputa. Isso é uma grande balela!

Quem vive atrás desse disse-me-disse somos nós, da imprensa, porque essa é nossa pauta diária. São os interessados diretamente, por vinculações com os grupos dominantes. São os próprios políticos, claro, porque vivem disso e, embora neguem, são profissionais em se enredar em tais novelas. Claro que há o cidadão comum que adora tudo isso. Mesmo porque há gosto para tudo.

Mas, a realidade é que a massa, a grande massa, o segmento majoritário que enfrenta diariamente uma labuta pesada para garantir o pão, essa gente pouco tempo tem para acompanhar o vai e vem, marchas e contramarchas das nossas politicagens.

A certeza de que, independente de quem esteja lá em cima, no poder, cá embaixo, no mundo real, pouca coisa do que realmente preocupa os cidadãos em geral mudará, essa certeza contribui para que as pessoas se desinteressem ainda mais pela política.

Embora tendo suas preferências, o povão não esquenta a cabeça para antever quais serão os candidatos na próxima eleição. Sua preocupação está mesmo é na conta de luz vencida, no preço do feijão, em não perder o ônibus-lata-de-sardinha, em esperar por horas a fio um atendimento médico negligente que trata gente como indigente.

Sua preocupação é com a violência, a droga que já consumiu os filhos de duas ou três casas da rua. O povo não tem tempo para conhecer a fundo os pré-candidatos a candidatos, simplesmente porque tem mais o que fazer. Aliás, se nossa classe política se preocupasse, também, mais em trabalhar que em politicar, certamente conseguiria fazer algo de mais útil pela nação. Isso, sim, interessaria ao povo.

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