Ação rápida do diretor do Numol/CG ajudou polícia a desfazer versão de suicídio no caso Gabryelle

A morte da jovem Gabryelle Farias Alves, 21 anos, poderia ter ficado impune, tratada como mais um lamentável caso de suicídio, não fosse o resultado da perícia médico-legal realizada no Núcleo de Medicina e Odontologia Legal de Campina Grande (Numol/CG), ainda popularmente conhecido pela antiga sigla de IML. O laudo, assinado pela legista Pâmela Pacheco de Lira, foi decisivo ao apontar sinais, considerados pela promotoria irrefutáveis, de homicídio.

O papel fundamental da perícia no deslinde do caso, que resultou na condenação do lutador Thiago Pereira Fernandes, 25 anos, conhecido como Monstro, companheiro da vítima, já é de conhecimento público. A exposição do laudo corroborou a tese do Ministério Público (estrangulamento seguido de tentativa de forjar uma cena de suicídio) e Thiago recebeu uma pena de 17 anos, mas vai aguardar o julgamento do recurso em liberdade. A defesa questiona o laudo pericial e afirma que o acusado é inocente.

O crime aconteceu no dia 12 de janeiro de 2012 e o julgamento foi concluído no último dia 01. O que pouca gente sabe é que a ação rápida do diretor do Numol de Campina Grande, Márcio Leandro da Silva (foto), foi crucial para que a investigação do caso tomasse o rumo que levou à prisão do lutador, já no dia seguinte à morte de Gabryelle, ainda durante o velório da jovem.

Ao tomar conhecimento de que o exame cadavérico apontava sinais de homicídio em um caso inicialmente tratado como suicídio, Márcio entrou em contato com a autoridade policial e a perícia de local de crime foi acionada, realizando um detalhado procedimento no cômodo onde a jovem, segundo Thiago, teria sido encontrada enforcada. O diretor do Numol ainda forneceu ao delegado cópia do laudo preliminar.

Segundo a perícia médico-legal, além de alguns hematomas típicos de espancamento, a vítima apresentava duas marcas (sulcos) em torno do pescoço, uma das quais seria fruto do estrangulamento e a segunda supostamente resultante da simulação de suicídio. Para o Ministério Público, indícios evidentes de homicídio.

De posse das informações e diante do resultado do trabalho do Instituto de Polícia Científica, os agentes da Polícia Civil puderam efetuar a prisão do acusado. “Se não fosse o resultado da perícia e o fato de a autoridade policial ter sido imediatamente informada do laudo preliminar, não teria havido a perícia do local de crime, como houve. Foi um trabalho conjunto da Polícia Civil, por meio da delegacia, do Numol e da Criminalística”, comenta Márcio Leandro.

A defesa de Thiago Monstro chegou a contratar os serviços do renomado perito Genival Veloso de França, considerado um dos maiores mestres da medicina legal no Brasil, num esforço para lançar dúvidas sobre o trabalho da legista Pâmela Pacheco de Lira, mas os jurados consideraram as evidências apontadas pelo trabalho da Polícia Científica como irrefutáveis.

O diretor do Numol garante que o órgão está preparado para desmascarar qualquer tentativa de armação em crimes contra a vida. “Temos um excelente material humano, com elevado nível de formação, e nossas equipes atuam motivadas. A evidência da perícia médico-legal é muito robusta, como esse caso veio a confirmar”, pondera Márcio Leandro, referindo-se à morte de Gabryelle Farias Alves.

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