A verdadeira grandeza de Campina


É legítimo e justo afirmar que o maior patrimônio de uma cidade é sua gente, até porque uma urbe é constituída e construída por seu povo, filhos legítimos e adotados. Da mesma forma e sem contradição, é possível asseverar que a cidade é maior que seus cidadãos, porque estes, enquanto indivíduos, são passageiros, um risco no tempo e na história, enquanto a urbe, como um ente imorredouro, permanece avançando rumo ao horizonte dos tempos.

Essa percepção é fundamental para que se evite a criação de ídolos, mitos fantásticos concebidos de figuras de proeminência no meio empresarial, intelectual e, sobretudo, político – onde adoradores não cessam de queimar incenso, tratando-os como se fossem os verdadeiros responsáveis pelo florescer desta terra.

Ao longo da sua história, desde quando era um pequeno aldeamento de índios, passando pelos tempos do processo de elevação a vila, a seguir a emancipação política e chegando aos dias hodiernos, houve poucos agentes que, de forma isolada, tenham trazido forte contribuição ao nosso desenvolvimento. Procurar listá-los seria pôr fogo no pavio do canhão que bombardearia a montanha das vaidades!

Todavia, é possível contar nos dedos esses nomes ilustres. No mais, foram muitos, em todos os segmentos, inclusive entre nossos gestores públicos, que deram alguma contribuição à cidade. No entanto, indiscutivelmente, o principal fator para que Campina prosseguisse no rumo do crescimento foi, sem dúvida, a grandeza da sua gente, que rema contra a correnteza, que nada contra a maré, que trabalha, investe, empreende e constrói.

Desde sua gênese, Campina Grande cresce contrariando toda a sorte de pressões e, nas últimas quatro décadas, enfrenta seu maior inimigo: uma política interna autofágica. Campina continua grande, mas urge o alerta: para manter-se grande, é preciso seguir crescendo. E nosso vigor não acompanha o ritmo de outros centros de porte similar que, embora sujeitos a condições gerais semelhantes, têm apresentado maior fôlego nos últimos quarenta anos.

Em um século, a política nesta Serra da Borborema pouco evoluiu, e a política pode tanto ser uma vela que impulsione para frente quanto uma âncora que estagne. Os campinenses precisam requerer dos seus políticos uma nova percepção, exigir que se desfaçam da ancora da pequenez e alcem as velas do trabalho conjunto para que, assim, essa cidade, que é grande por vocação e que tem na sua gente a sua maior grandeza, possa ser conduzida em ventos de esperança a mares de progresso e paz.

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