Saulo Noronha: um parlamentar que não parla no parlamento


Do alto dos seus 79 anos e postura discretíssima na Câmara Municipal de Campina Grande, o vereador Orlandino Farias (PSC) pode ser considerado quase um tagarela em comparação com o demista Saulo Noronha, 35 anos, que atualmente cumpre seu primeiro mandato na Casa de Félix Araújo.

O jovem parlamentar não discursa, não aparteia, não opina, não fala contra, não se pronuncia a favor e até mesmo raramente é visto nas rodas de conversas entre seus pares no plenário. Apresenta projetos e requerimentos, mas a justificativa limita-se à redação impressa da assessoria. Entra e sai sem ser notado e sua ausência só pode ser sentida por ocasião de alguma contagem.

Saulo Noronha figura no baixo clero da Casa de Félix Araújo e não dá sinais de estar incomodado com isso. Aliás, embora não tão discreto quanto seu colega, outro vereador de pouco destaque em plenário é também do Democratadas, Vaninho Aragão.

Em casos assim, o argumento pronto costuma ser que a pequena participação nas discussões do legislativo não faz de ninguém um mau vereador. É verdade. Mas, em pleno século XXI é inconcebível que parlamentares adotem uma postura de voto de silêncio, como se não houvesse nada a ser dito por alguém que representa, ao menos em tese, o povo.

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