Miguel Rodrigues assume papel de defesa do governo em causas impopulares e descobre a solidão da tribuna


Vereador de primeiro mandato, o professor Miguel Rodrigues (PPS) aderiu ao agora prefeito Romero Rodrigues apenas no segundo turno das eleições 2012.  Miguel chegou à Câmara após tentar durante nada menos que trinta anos.

O vereador do PPS iniciou timidamente o mandato, tendo o tom de voz moderado agravado por um problema na garganta. Tratou do problema e, apesar da timidez, apesar da adesão apenas no segundo turno e apesar de não ter a eloqüência de alguns dos seus companheiros de bancada, nem a veemência de João Dantas, ou mesmo a brabeza de Ivonete Ludgério, resolveu assumir o papel de aliado do governo, inclusive nos instantes mais complexos.

Hoje, Miguel Rodrigues foi apresentado a um sentimento que João Dantas conhece bem, de tempos recentes, e Ivonete Ludgério conhece já desta legislatura: a solidão da tribuna. João, na legislatura passada, foi tratado praticamente como um doidivanas enquanto o governo passava o rolo compressor na Câmara, onde só restaram, de fato, na oposição, o próprio Dantas, mais Ivonete e Tovar Correia Lima.

Semanas atrás, Ivonete foi objeto de vaias, apupos e até ofensas em termos os mais abjetos por, no mister da liderança governista, ter demarcado posição em temas controversos discutidos com galerias lotadas de aplausos e vaias bem ensaiados. E Miguel, esta semana, sem um João ou uma Ivonete em plenário, conheceu a solidão da tribuna.

Fez um discurso duro contra o que considera o uso dos servidores da saúde como massa de manobra e ficou exposto ao paredão, sem que nenhum dos seus companheiros presentes levantasse a voz para defendê-lo. Ficou exposto ao mimetismo em uso que trata governistas como demônios e opositores como ídolos, justamente o oposto do que acontecia até 31 de dezembro.

Independente da discussão de mérito – e todos na Câmara sabem que o vereador do PPS tem muita razão no que falou – Miguel Rodrigues teve a coragem de defender o entendimento do grupo político ao qual pertence e a coerência de justificar uma lei que ele e todos os seus companheiros de bancada aprovaram. Os outros, calaram, porque, para muitos, ser governo é apenas bônus, jamais ônus.

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