Um ano após morte de Ronaldo, filho assume prefeitura de Campina Grande

Ronaldo Cunha Lima deixou a Prefeitura de Campina Grande em 01 de janeiro de 1989. Com a permissão de um dispositivo transitório da recém promulgada Constituição Federal, entregou o cargo ao filho e herdeiro político, Cássio Cunha Lima, eleito no pleito do ano anterior. Nos anos seguintes, Ronaldo, que já fora também vereador e deputado estadual e tivera seu primeiro mandato de prefeito da Rainha da Borborema cassado em 1969 pelo regime militar, seria governador da Paraíba, senador e deputado federal.

Neste domingo, 07, data do primeiro aniversário da morte do poeta, novamente a cidade terá um prefeito chamado Ronaldo Cunha Lima. Ronaldo, o filho, vice-prefeito de Campina Grande, assume interinamente o mandato por um período de duas semanas, durante licença do titular, Romero Rodrigues. “É uma forma de reconhecer o esforço de Ronaldinho, que coordenou o São João, possibilitando que ele faça o encerramento da festa como prefeito, e também de homenagear seu pai, o saudoso poeta Ronaldo, criador do Maior São João do Mundo”, explicou Romero.

Filho mais velho de Ronaldo, Ronaldinho, como é chamado o vice-prefeito, demorou a ingressar de corpo e alma na carreira política. Após a cassação do mandato de prefeito, em 1969, o poeta Ronaldo migrou para o Sudeste do país, seguindo primeiro para São Paulo e, depois, o Rio de Janeiro. Voltaria do retiro em 1982, para reconquistar a cadeira tomada pela ditadura militar, mas o primogênito preferiu continuar na “cidade maravilhosa”, onde formou-se em direito e exercia atividades empresariais.

Seu nome viria a figurar em uma chapa apenas no ano passado, quando, após uma série de idas e vindas, foi escolhido para vice do primo Romero Rodrigues. À época das convenções, o poeta Ronaldo vivia seus últimos dias, após uma longa luta contra um câncer, mas teria abençoado a tardia decisão do filho de seguir seus passos na política. “Ele apertou a minha mão e disse: ‘Vá, meu filho. Conte a minha história e mantenha viva a minha memória’”, revela, emocionado, o vice-prefeito, eleito aos 52 anos.

Durante a campanha eleitoral, Ronaldo Filho foi tratado ironicamente pelos adversários políticos como um forasteiro, já que, apesar de ser natural da cidade, passara a vida fora da Serra da Borborema. A ironia chegou ao ponto de oponentes afirmarem que o então candidato a vice-prefeito precisava de um GPS para circular por Campina Grande. O tucano, porém, reconhecia a forte ligação com o Sudeste do país, mas ressaltava que jamais perdeu os vínculos com a Rainha da Borborema.

Agora, de volta à convivência da cidade, garante que redescobriu a paixão campinense. “Não imaginava que chegaria tão longe, ao ponto de poder governar a cidade que meu pai tanto amou, que Cássio tanto ama e que acabei me apaixonando, porque Campina é a cidade que suscita todo tipo de amor”, comentou. Sobre sua atuação à frente do executivo municipal durante a licença de Romero, Ronaldo diz que será com seqüência à normalidade administrativa e “sem sobressaltos”.

Ronaldo: da vida, para a História

Um ano após a morte de Ronaldo Cunha Lima, inúmeras homenagens exaltam a memória do ex-prefeito, ex-senador e ex-governador, que gostava de ser reconhecido por outro título: poeta. Além das homenagens na Câmara Municipal de Campina Grande e no Senado Federal, inúmeras praças, conjuntos e outros logradouros foram batizados, em vários municípios, em tributo a uma das mais importantes e carismáticas lideranças da história política contemporânea da Paraíba.

Na mais recente homenagem, a exposição de outra faceta do ex-governador: sua paixão pelas ciências jurídicas. Na última quinta-feira, foi inaugurada a nova sede do Ministério Público em Campina Grande, denominada Complexo Promotor de Justiça Ronaldo Cunha Lima.

Durante a solenidade, o procurador-geral de Justiça da Paraíba, Oswaldo Trigueiro, elogiou a escolha do nome para a sede. “Ronaldo Cunha Lima é uma lenda para o Estado. Meu pai me falava da pessoa firme e simples que ele era. Ronaldo tinha a alegria dos puros de coração. O colégio de procuradores foi imensamente feliz quando decidiu dar a este complexo o nome do poeta”, disse o procurador.

Presente à solenidade, o senador Cássio Cunha Lima agradeceu e falou sobre a relação do pai com o Ministério Público. “Meu pai amou e defendeu o Ministério Público. Por ele ter sido promotor de Justiça, me ensinou também a defender o MP. E eu tenho um sentimento de muita gratidão por este importante gesto da instituição”, ponderou.

Lembrando o primeiro aniversário da morte do poeta, Cássio afirmou que sua história é marcada pela probidade e honestidade. “Ronaldo exerceu todos os cargos públicos, com exceção apenas da Presidência da República, e não deixou sequer uma marca que venha a macular a sua honradez”, declarou. No domingo, às 10 horas, será celebrada uma missa em memória de Ronaldo Cunha Lima no Seminário Diocesano São João Maria Vianney e, em seguida, o prefeito Romero Rodrigues transmite o cargo para o vice, Ronaldo Cunha Lima Filho.

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