Ricardo Coutinho: favorito e sem adversários à vista. Mas, eleição não se ganha de véspera

A menos de um ano do período das convenções partidárias para as eleições de 2014, a análise do cenário político ainda é naturalmente instável, sujeita às influências de chuvas e trovoadas que podem modificar toda a perspectiva apresentada no momento. No entanto, a preço de hoje, o que se observa de mais claro é que o governador Ricardo Coutinho pode, a despeito dos muitos adversários que tem, ser considerado favorito para vencer a refrega.

E há, nesse favoritismo, um ponto marcante: faltam adversários expressivos para enfrentar o socialista. Na conjuntura de momento, o único que poderia impor um confronto cara a cara com Ricardo seria o senador tucano Cássio Cunha Lima. Mas, a despeito da expectativa quanto a um possível rompimento entre os dois – coisa que vem, por sinal, desde a época de pré-campanha de 2010 – os sinais emitidos tanto pelo governador quanto pelo senador são de manutenção da aliança.

E, a aliança, mantida, corrobora o projeto de reeleição de Ricardo, que, de quebra, ainda deverá ter em sua coligação outro favorito, o atual vice-governador Rômulo Gouveia (PSD), na disputa pela única vaga ao Senado. Outro sinal claro aponta a composição da chapa majoritária com a presença do atual vice-prefeito de Campina Grande, Ronaldo Cunha Lima Filho.

O nome surge como conseqüência quase lógica. Para continuidade da parceria, o PSDB deve cobrar o espaço perdido com a saída de Rômulo Gouveia para o PSD, ou seja, o cargo de vice-governador. Além disso, é impensável que o espaço seja preenchido por uma figura que não seja de Campina. Logo, qual o personagem político ao mesmo tempo tucano e campinense apto à função, uma vez que o prefeito Romero Rodrigues jamais cogitaria deixar o mandato? Logicamente, Ronaldo.

A única engenharia necessária ao processo seria a discussão quanto aos efeitos da eventual presença do atual vice de Campina Grande no Palácio da Redenção sobre a sucessão em 2018 e a possível candidatura à governança de Cássio.

No mais, Ricardo segue sem adversários. Além da derrota em 2010, o ex-governador José Maranhão desgastou-se com o insucesso do ano passado em João Pessoa e, ademais, já é um nome saturado.

O oponente aparentemente lógico, o ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo, é um adversário que não deve ser desconsiderado – Veneziano é mais forte quando os outros o julgam fraco, e fraco quando ele mesmo se julga mais forte – mas, a verdade é que o momento do peemedebista foi em 2010, quando, porém, sua candidatura foi abortada pela intransigência de Maranhão. Sem mencionar o desgaste do fim de sua gestão na Prefeitura de Campina Grande.

Em suma, Ricardo Coutinho é favorito e, salvo ocorrência superveniente de maior impacto, deve consolidar essa condição até a campanha de 2014. No entanto, favoritismo não significa garantia de vitória – aí estão as lições de 2010 como prova – e o socialista, para garantir sua recondução ao Palácio da Redenção, deve desconfiar tanto das previsões acerbas de adversários odientos quanto das nuvens azuis alardeadas pelos onipresentes áulicos.

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