Em Campina Grande, os quatro vereadores do PMDB poderão deixar o partido. Por que será?



O PMDB perdeu o comando da Prefeitura de Campina Grande, mas conseguiu garantir a maior bancada, com quatro vereadores, na Câmara Municipal, reelegendo Olímpio Oliveira, Metuselá Agra e Pimentel Filho e trazendo de volta à Casa de Félix Araújo Ivam Batista. Sinal, portanto, de um PMDB forte no legislativo? De forma alguma!

A identidade dos vereadores com o partido é débil. Além disso, os quatro sabem que a legenda tem seus espaços, digamos, estrangulados pelo que um ex-vereador e ex-peemedebista, Fernando Carvalho, qualificou certa vez como “mandonismo familiar”.

Quem sonha com uma cadeira na Assembleia Legislativa, caso de Olímpio Oliveira, sabe que pelo PMDB o caminho é muito mais longo. E não apenas pela força do partido, com candidatos de peso e detentores de grandes estruturas, mas, também, porque os espaços controlados pelo grupo que domina a legenda são fechados, para atender às demandas da família Vital do Rêgo.

Aliás, diga-se de passagem, essa prática é generalizada, não apenas qualidade do PMDB, onde, porém, pela própria dimensão do partido, o quadro se acentua. Olímpio é o mais fiel à sigla, e essa fidelidade, certamente, não reside na perspectiva de qualquer apoio maior caso seja candidato em 2014. Mas, sabe que a possibilidade de executar o plano de candidatura passa pela troca de partido.

Os outros três vereadores, porém, já escancararam que sair do PMDB está na ordem do dia. Primeiro foi Metuselá Agra, depois, até o decano Pimentel Filho, que já presidiu a sigla na cidade e garante ter sido decisivo na filiação do então vereador Veneziano Vital do Rêgo, avisou que pode partir em busca de novos ares. Mais recentemente, Ivam Batista, com seu discurso ser-não-ser, também reconheceu que pensa em se ligar a outra sigla.

Reflexos do modelo de gestão do PMDB, é bem verdade. Mas, também – e principalmente – da perda do poder pela legenda. Porque o poder, na política, tem a magia de aplacar os espíritos e acomodar as divergências.

Nenhum comentário

.