Enfermeiros transformam protesto em ameaças e xingamentos a vereadores para forçar votação de projeto de Napoleão

Dezenas de enfermeiros lotaram as galerias da Câmara Municipal de Campina Grande na manhã desta terça-feira, 28, para pressionar os vereadores a aprovarem Projeto de Lei de autoria do vereador Napoleão Maracajá (PC do B), presidente do Sintab, que propõe a redução da jornada de trabalho da categoria para 30 horas semanais.

Como, porém, a matéria não foi votada, porque a liderança da bancada governista cobrava o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, houve revolta, e a manifestação por pouco não descambou para um incidente grave. Alguns manifestantes, mais exaltados e estimulados por palavras de ordem dadas por pessoas através de um megafone – que, segundo dois vereadores, seriam pessoas do Sintab – batiam nos vidros que isolam o plenário, gritavam e alguns xingavam e faziam ameaças aos vereadores.

O principal alvo da ira foi a vereadora Ivonete Ludgério (PSB), líder da bancada governista, que, apesar de garantir o voto favorável da sua bancada ao projeto, deixou claro que não seriam favoráveis à votação da matéria nesta terça. Além das usuais vaias, a parlamentar foi alvo de xingamentos em termos baixos e obscenos por parte de algumas figuras mais exaltadas.

No final da sessão, diante de uma maior exacerbação dos ânimos, o vereador Murillo Galdino (PSB), que presidia os trabalhos, acionou a Polícia Militar, mas nada de mais grave aconteceu. Ivonete, contudo, não se intimidou e, ao contrário de alguns vereadores que escaparam de fininho pela porta dos fundos, foi para os jardins da Câmara conceder entrevista.

Do que foi possível depreender da discussão, Napoleão Maracajá estava respaldado no Regimento Interno da Câmara para exigir a votação do projeto, que, contudo, como outros que aguardam, emperrados, na secretaria parlamentar, não foi colocado em pauta pela presidência.

Por outro lado, Napoleão Maracajá erra gravemente ao permitir que manifestações cheguem a tamanha animosidade, sobretudo porque qualquer incidente de maior gravidade seria, fatalmente, colocado na sua conta como presidente do Sintab. Hoje, nos corredores da Câmara, o parlamentar/sindicalista já era alvo de duras críticas dos seus pares, que se sentiram ameaçados pela força do Sintab.

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