Reportagem: Campinenses de olho na terceira vaga do Senado

Dois políticos de Campina Grande figuram na seleta lista de candidatos a candidatos nas eleições para o Senado em 2014, quando a Câmara Alta do Congresso se renovará em um terço: o vice-governador Rômulo Gouveia (PSD) e o deputado federal e ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro (PP). Ambos não negam o desejo de concorrer ao Senado, embora ainda adotem discursos moderados. Rômulo mostra-se aberto ao projeto do seu grupo político, que inclui o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), mas já deu sinais claros de que vê com carinho a casa revisora do Congresso.

Aguinaldo, por sua vez, investido na liturgia ministerial, repetidamente desconversa, mas é, efetivamente, sondado por diversos grupos. Todavia, seu pai, o ex-prefeito Enivaldo Ribeiro, presidente estadual do PP, garante que o filho vai mesmo disputar a reeleição para a Câmara Federal, adiando estrategicamente a candidatura senatória para 2018, quando serão duas as vagas.

Nesse sentido, a expectativa da família Ribeiro é que uma reeleição de Aguinaldo, juntamente com a eventual recondução da presidente Dilma Rousseff (PT) ao Palácio do Planalto, implique em sua manutenção no Ministério das Cidades, de onde buscaria, então, alçar voos mais altos.

Em seu núcleo político, Aguinaldo é conhecido pela fleuma e pragmatismo nas estratégias eleitorais. Seja como for, a presença de dois representantes de Campina Grande entre os cotados para o Senado já leva os mais bairristas a enxergar a possibilidade real de as três vagas da Paraíba naquela casa serem ocupadas por campinenses. Atualmente, a cidade tem dois “filhos” na Câmara Alta: Cássio Cunha Lima (PSDB) e Vital do Rêgo (PMDB).

O terceiro representante da Paraíba no Senado, Cícero Lucena (PSDB), não é campinense, mas não deixar de dever à cidade a consolidação da sua vitória em 2006. Naquele pleito, Cícero, que vinha desgastado das denúncias da chamada “operação confraria”, venceu Ney Suassuna, que tinha, então, seu nome envolvido no “escândalo das sanguessugas”, por uma diferença de pouco mais de 5%. Na capital, onde Cícero foi prefeito, sua vantagem foi bem menor: apenas 2,1%. Já em Campina Grande, com o apoio do aliado Cássio, Cícero somou mais de 56% dos votos válidos, contra apenas 32% de Ney.

De olho nesse potencial eleitoral, há quem aposte na possibilidade da Rainha da Borborema eleger, no ano que vem, um terceiro representante para o Senado. O que não acontecerá, no que depender de outros candidatos a candidatos, caso de Wilson Santiago (PTB) e do próprio Cícero Lucena, que resiste a desistir de tentar a reeleição. O ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Agra (ainda sem partido), também cotado para a disputa, embora tendo base política na capital, também é campinense de nascimento.

Representação campinense na Câmara caiu pela metade

Em tese, a bancada oriunda de Campina Grande eleita para a Câmara dos Deputados em 2010 contava, originalmente, com quatro parlamentares: Romero Rodrigues (PSDB), Aguinaldo Ribeiro (PP), Damião Feliciano (PDT) e Nilda Gondim (PMDB). Wellington Roberto (PR) é um nome pouco conhecido dos campinenses, tanto que obteve na cidade apenas 2.966 dos mais de 113 mil sufrágios que alcançou em todo o estado. Os quatro representantes, ainda assim, davam à Rainha da Borborema o equivalente a pelo menos um terço da bancada paraibana na Câmara Federal.

Entretanto, com a licença de Aguinaldo Ribeiro para assumir o Ministério das Cidades, sendo substituído por Leonardo Gadelha (PSC), e a renúncia de Romero para assumir a prefeitura de Campina Grande, sendo substituído pelo suplente Major Fábio (DEM), a cidade conta, atualmente, com apenas dois “filhos” na Câmara dos Deputados: Nilda e Damião. Aguinaldo tomou posse no ministério em fevereiro de 2012, enquanto Romero renunciou em dezembro passado.

Quanto à representação na Assembleia Legislativa, em tese, a cidade elegeu 1/6 dos deputados estaduais, com seis representantes: Manoel Ludgério (PSD), Guilherme Almeida (PSC), Adriano Galdino (PSB), Eva Gouveia (PSD), Caio Roberto (PR) e Daniella Ribeiro (PP). Dois deles estão licenciados do mandato por terem assumido cargos no Governo do Estado: Manoel Ludgério (Desenvolvimento e Articulação Municipal) e Adriano Galdino (Chefia de Gabinete do Governo).

Um fato que chama a atenção é que a Câmara Municipal de Campina Grande, que em 2010 contava com dezesseis vereadores (hoje são 23), elegeu apenas um nome para a Casa de Epitácio Pessoa, Daniella Ribeiro. Jóia Germano (PRP) e Inácio Falcão (PSDB) foram candidatos, mas não tiveram sucesso. Fernando Carvalho (à época no PMDB), concorreu a uma das vagas na Câmara Federal, mas, apesar de ter conseguido a terceira melhor votação da cidade, também não se elegeu.

Matéria nossa publicada no jornal A União deste domingo, 28

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