O cartão temporal e uma planejada discussão terminal

Por pelo menos três vezes o governo municipal anunciou claramente que o Terminal de Integração não será desativado, enquanto houver demanda de passageiros por aquela estrutura. Isso foi afirmado pelo prefeito, inclusive, no dia em que anunciou, durante a sessão de abertura dos trabalhos da Câmara Municipal, a implantação do sistema de cartão temporal, um modelo anos-luz mais eficiente.

E a razão é evidente. Seria uma irresponsabilidade sem tamanho desativar um equipamento fundamental para o sistema de transporte coletivo da cidade, enquanto aquela estrutura ainda tiver demanda e tanto mais em um primeiro momento, quando a cidade e os passageiros ainda se adaptam ao método do cartão temporal.

Enquanto houver essa demanda, o terminal será necessário e nenhum governo cometeria o absurdo de desativá-lo. É óbvio que, com a consolidação de um novo sistema, mais prático para o usuário, a médio ou longo prazo é possível que deixe de haver demanda, e apenas esse quadro justificaria o fechamento do terminal – não haveria sentido manter um equipamento subutilizado. Só que isso pode também não ocorrer e o terminal deverá, neste caso, permanecer intocado.

Tudo isso parece claro demais, evidente demais, óbvio demais. E por que, então, tem sido suscitada uma surpreendente discussão em torno do terminal, com a repetida tese de que o equipamento será desativado?

A razão é, também, lógica demais. O sistema de cartão temporal, lançado com apenas sessenta dias da atual gestão, evidencia que uma importante política de transporte público deixou de ser implantada no governo do PMDB simplesmente por falta de vontade – ou de competência. Ainda mais lembrando-se que aquela gestão havia prometido outros terminais, além do fato de contar o atual como sendo dois terminais.

E, diante desse fato inequívoco, o grupo ligado ao governo passado tenta criar uma cortina de fumaça para diminuir a repercussão da nova medida, colocando o atual governo na defensiva, mediante a repetição de uma tese já inúmeras vezes descartada. O mais curioso, contudo, é ver setores do governo embarcando nesse estratagema, deixando-se ficar na defensiva.

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