O Campinense e a crônica do imponderável

Imagem: Roberto Nascimento / Codecom

Quem diria?

Quem diria que o nosso futebol, resignado à posição de figurante nos cenários nacional e regional, chegaria ao topo, fazendo todo o Nordeste caber em Campina Grande? Quem diria, meses atrás, que o humilde Campinense seria o campeão, suplantando rivais cujas dimensões históricas transformariam cada partida em uma luta de Davi e Golias?

Quem diria que um modesto clube paraibano, matando um leão por dia, traria para o alto da Bela Vista, para sua singela casa, construída a mil braços, a hegemonia do futebol nordestino?Quem diria! A História é marcada pelo imponderável.

No começo, talvez nem mesmo o mais apaixonado torcedor sequer ousasse sonhar. Mas, afinal, de grão em grão a Raposa foi enchendo o papo, o impossível passou a ser possível, o possível passou a ser provável e, explodindo em êxtase milhares de corações, enchendo de orgulho a cidade que carrega no nome – manifesto orgulho de ser campinense –, o provável se tornou certeza, fato, conquista e História.

O imponderável da História lustra com um brilho ainda mais glorioso o feito do Campinense. Em campo, atletas modestos, que desconhecem o glamour do estrelato que, neste dito país do futebol, é realidade de uma ínfima minoria, simplesmente escreveram seus nomes na História – pra sempre.

O craque do time, um operário da bola, um proletário do esporte, festejava a provável realização de um sonho singelo: construir a casa do pai. “Uma casa boa”. Vai construir, porque já construiu algo maior, uma página no tempo colorida em vermelho e preto.

Atentem bem! O principal feito do Campinense foi mostrar que é possível. Agora, todos nós sabemos. É possível. Nem sempre o maior é o melhor. Não há predestinação para o fracasso, para a inferioridade. O esporte é uma crônica análoga à vida. A Paraíba é pequena, é sofrida, é historicamente desfavorecida. Mas, nada de complexo de inferioridade, nada de perder antes de lutar.

Se é mister matar um leão de cada vez, que venham os leões. Podemos ser apenas raposas, mas somos valentes - ferozes. Podemos ser devorados, mas lutando, jamais em fuga. Podemos perder, porque perder faz parte da lida. Hoje, porém, vencemos, prêmio que só os que lutam podem almejar.

O bom de viver é ver a História acontecer. E aí está uma página a nos encher de orgulho. Hoje, Campina Grande detém a hegemonia do Nordeste.

Quem diria?

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