Júri absolve acusados da morte de Raymundo Asfóra. Promotor disse que crime foi político

Registro do julgamento. Imagem: Ascom TJ
Por maioria, o corpo de jurados do 2º Tribunal do Júri de Campina Grande absolveu Gilvanete Vidal de Negreiros e o fotógrafo Marcelo Marcos da Silva, acusados pela morte do tribuno Raymundo Asfóra, encontrado morto em casa, no dia 06 de março de 1987, dez dias antes de tomar posse como vice-governador do Estado. O crime é um dos maiores mistérios policiais da história da Paraíba e teve sua investigação marcada por teses conflitantes da polícia e dos peritos, com versões assegurando tanto a ocorrência de homicídio quanto a de suicídio.

Gilvanete era a segunda esposa de Asfóra e o fotógrafo Marcelo Marcos, seu amigo. Além dos dois, também foi acusado pelo crime o caseiro João da Costa, já falecido. Os réus haviam sido absolvidos em um primeiro julgamento, quando prevaleceu a tese de suicídio, mas o júri foi anulado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Desta vez, o julgamento foi presidido pelo juiz Alberto Quaresma.

O promotor de Justiça Osvaldo Lopes defendeu a tese de homicídio, sustentando que o crime teria ocorrido por razões políticas, de forma premeditada, mas afirmou que não tinha como apontar os responsáveis pela morte de Raymundo Asfora. Diante da posição do Ministério Público, a defesa pediu a absolvição dos acusados.

O julgamento, iniciado pela manhã e encerrado no final da tarde de ontem, foi rápido porque não ouviu testemunhas, resumindo-se apenas a apresentação de vídeos, ao depoimento dos acusados e às exposições da defesa e da promotoria. Além disso, de acordo com o juiz Alberto Quaresma, o representante do Ministério Público abriu mão da réplica. Para o magistrado, “o veredícto do júri é soberano e representa o desejo da sociedade”.

No último dia 06, quando a morte do vice-governador eleito completou 26 anos, seu filho do primeiro casamento, o advogado, ex-deputado e coordenador de Articulação Polícia da Prefeitura de Campina Grande, Gilbran Asfóra, pediu, em seu blog, que o júri absolvesse os acusados.

“Tomei a decisão de vir a público, acompanhando o sofrimento que se arrasta durante a vida toda dos meus irmãos (...). Peço a absolvição de Gilvanete Vidal de Negreiros. Na mesma oportunidade e pelos mesmos motivos alegados, venho pedir a absolvição de Marcelo Marques da Silva, pois não encontrei um porquê para tal atitude. Vi, sim, que ele sofreu e só perdeu com o passamento de Raymundo Asfora”, escreveu Gilbran.

Sobre a polêmica a respeito da morte do pai, Gilbran preferiu não opinar publicamente. “Mesmo hoje, após tantos anos de sua morte, não haverei de posicionar-me em relação ao que houve, se homicídio ou suicídio”.

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