Acabou o carnaval. É hora de se rebolar!

Ufa! Chegou a quarta-feira de cinzas. Mais uma quarta-feira de cinzas. Sobrevivemos ao carnaval, a essa imposição midiática travestida de arranjo cultural, ao período mais enjoativo do calendário, a essa celebração à futilidade, à vadiagem e à permissividade. O ano, agora, pode finalmente começar!

Carnaval é tempo de festa sem limites, de folia frenética, de enlouquecer nas ladeiras de Olinda, de varar a madrugada atrás do Galo, de se perder na Sapucaí, de requebrar no Pelourinho, de virar muriçoca no Miramar, de desfilar em escolas de samba sem eira nem beira em Campina para imitar os cariocas.

É tempo de louca fantasia, de colorir a vida monocrômica com purpurina, de fingir que, por conta própria, aquilo que não é como deveria ser será como se quer que seja. Tempo de esquecer que, por aqui, é sempre carnaval, há sempre fantasia, a farra nunca cessa.

Por esta grande avenida que é o Brasil, desfilaram, desfilam e continuarão desfilando escolas campeãs, como a “Unidos do Dólar na cueca”, “Acadêmicos do Mensalão”, “Estação primeira da roubalheira”, “Mamãe, eu quero mamar no Congresso” e “Felizardos da Impunidade”. É farra que não acaba mais!

Enquanto isso, no carnaval sem fim das ruas, lá estão os velhos blocos de esfarrapados como “A gente se acaba no SUS”, “Me dá uma esmola aí”, “O ensino não ensina” e “Pra que dá o salário mínimo?” – este último, escandaloso, com gente “coberta” apenas por sumários tapas-sexo, o máximo permitido pelo mínimo.

Mas, a nudez deixou de chocar, porque o enredo diário deste reino de fantasia tupiniquim é de vergonha. Vergonha que, de tanto repetida, vai deixando de ser sentida, vai virando sem vergonha.

Passou o período oficial do carnaval. Momo, esse ser vadio, recolheu-se a hibernar. Entretanto, as máscaras não saem de moda, a farra não para e seguirá inebriando a figura mais popular da eterna folia desse país, aqueles personagens sem nome, sem cara, sem importância, os papangus – também conhecidos como povo.

Acabou o carnaval. Mãos à obra, então! Comecemos o ano! É hora de se rebolar.

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