A Copa é do Mundo. A conta é nossa

As despesas com obras para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, se assemelham a um fosso. E não se trata apenas de um fosso profundo. É um fosso sem fundo. Em um país em que a maracutaia, o superfaturamento e uma infinidade de esquemas frequentemente envolvem mesmo as mais singelas obras, imaginem o descalabro com projetos de tamanha monta.

Ressabiados, os brasileiros não demonstram confiança na Seleção para a conquista do hexa. Mesmo assim, seja qual for o resultado, não faltará quem – no Brasil e fora – tenha muito a comemorar, lucrando alto com a Copa.

As desconfianças começam pela própria Fifa, imersa em denúncias e acusações, passando também pela CBF, que agora é dirigida por José Maria Marin, um presidente flagrado surrupiando uma medalha em 2012 na premiação dos campeões da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Num país em que escolas caem aos pedaços, de hospitais sucateados, em que rodovias se desmancham, como verdadeiras trilhas de morte e descaso, e onde nordestinos padecem de fome e sede esperando uma transposição que nunca chega, cifras absurdas serão empenhadas na construção de estádios novos, caríssimos, alguns deles destinados a apodrecerem subutilizados depois da copa.

Num país em que a maioria das cidades não dispõem de um simples mamógrafo, em que policiais usam armas obsoletas para combater bandidos bem armados, em que professores têm como ferramentas apenas um toco de giz e um quadro velho, tecnologia de ponta será empregada num torneio que dura um mês. Tudo caro, contabilizado aos milhões.

Não se trata de ser contra a Copa. Trata-se de clamar por prioridades. Mesmo porque, apesar da ínfima cota de ingressos que será destinada às classes menos abastadas, é fato óbvio que esse não é um evento para o brasileiro comum. A maioria absoluta continuará assistindo a seleção verde-amarela pela TV.

Como bem definiu o ex-jogador e deputado federal Romário, essa será a copa NO Brasil, não a copa DO Brasil. A pequena diferença é grande! Copa do mundo é uma festa. Festa pra rico. E faz festa quem pode.

Dizem os especialistas, porém, que a copa é um bom negócio. Eles só não dizem para quem. É, certamente, um negócio da China. Só que apenas para alguns poucos. Bem poucos. Até porque, mesmo o retorno garantido com o aquecimento gerado pelos turistas durante os dias de futebol não pode ser apresentado como um benefício generalizado.

Quem vai ganhar a Copa, é impossível saber. Mas, quem vai pagar a conta, é fácil saber. Quem vai pagar a conta é a massa, é o povão. O povo, afinal, sempre paga a conta, sempre paga o pato. Até o pato da copa.

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