Ao rebater Romero, Veneziano admite que recursos do DTOG não foram 100% usados na Mater Dei

Um detalhe na nota enviada à imprensa na semana passada pela assessoria do ex-prefeito Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) não foi devidamente percebido. Ao rebater as informações do atual governo sobre a dívida que sua gestão teria deixado com os antigos proprietários do prédio da Mater Dei, onde seria instalado o Hospital da Criança, Veneziano acabou fazendo uma confissão.

Veja o trecho da nota:

Veneziano também recebeu informações de técnicos que atuaram em sua gestão dando conta de que outros débitos apresentados por Romero são equivocados ou, simplesmente, inexistentes. É o caso da suposta dívida de R$ 2 milhões referente ao pagamento da compra do prédio onde foi instalado o Hospital Municipal da Criança e do Adolescente, uma importante ação da gestão Veneziano.

“Do valor total da aquisição do prédio (R$ 3,7 milhões) restaram apenas R$ 100 mil a pagar e não R$ 2 milhões, como equivocadamente foi apresentado. Mesmo assim, o pagamento ficou garantido com o saldo que deixamos de R$ 22.990.939,29, transferidos pelo Governo Federal no dia 28 de dezembro, em recursos da Saúde”, disse Veneziano.


Pois bem. A venda do antigo DTOG foi autorizada pela Câmara Municipal porque o então prefeito alegava que os recursos provenientes da negociação viabilizariam a compra das instalações da antiga Mater Dei. Houve forte pressão política sobre os vereadores para aprovar o projeto.

Com o aval quase unânime da Câmara (a exceção foi João Dantas, do PSD, bastante atacado por sua posição) o imóvel do município foi vendido por R$ 4,51 milhões – apesar de haver uma emenda estabelecendo o preço mínimo em R$ 6,38 milhões. Também ficou estabelecido que 10% do valor da venda deveriam ser repassados à Câmara, para custear a reforma dos gabinetes dos vereadores.

O percentual destinado ao legislativo nunca foi repassado, segundo informações do presidente Nelson Gomes Filho. Agora, apesar de negar o montante da dívida, o ex-prefeito admite que faltaram “apenas R$ 100 mil a pagar”. Ou seja, diz ter pago R$ 3,6 milhões.

Logo, restariam, do saldo da venda do DTOG, pouco mais de R$ 900 mil. Cabe perguntar, então: em que foram usados estes recursos? E mais: por que o prefeito não cumpriu o que preceituava o projeto, ou seja, usar o dinheiro da venda do imóvel público para quitar inteiramente a compra da Mater Dei?

Resta ainda outra importante questão. À época, o vereador João Dantas era atacado por aliados do governo por afirmar que era desnecessário vender um bem público para comprar um prédio. Agora, entretanto, o ex-prefeito admite que recursos federais podem ser destinados para esse fim - ou seja, não precisa mesmo ter vendido o DTOG. Por que a contradição?

São perguntas revelantes que precisam ser respondidas por alguém. A questão é saber quem.

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