Os velhos amigos de Veneziano. Os novos amigos de Romero

O pior ônus do poder é estar no centro de jogos de interesse e ser alvo de paixões interesseiras impossíveis de se contabilizar. Trata-se de uma experiência humanamente confusa, que embaralha sensações e sentimentos, que a alguns entorpece, que compromete a capacidade de separar os raríssimos amigos dos inumeráveis oportunistas.

Dia destes, o prefeito Veneziano Vital do Rêgo fez questão de registrar, nas redes sociais: “Conheci ‘amigos’. Estou os ‘reconhecendo’ agora”. A declaração é emblemática. Até o início deste ano, Veneziano era cultuado, adorado, carregado em andor. Agora, porém, é execrado por muitas das mesmas bocas que antes beijavam suas mãos.

É lógico que seus antigos admiradores e ex-aliados têm o sagrado direito de mudar de opinião, mas o fato é que não são poucos os que só descobriram agora os (supostos?) defeitos de Veneziano pela questão óbvia do resultado eleitoral. Só que Veneziano é agora exatamente o mesmo que era meses atrás, quando alguns que hoje lhe atiram pedras o cobriam de rosas.

O mesmo fenômeno atinge, mas num sentido oposto, o prefeito eleito Romero Rodrigues. Em 2010, quando enfaticamente avisou que desta vez não pretendia abrir mão de disputar a prefeitura, foi alvo do bombardeio dos próprios aliados e correligionários, sobretudo áulicos mais ardorosos da família Cunha Lima.

Se não esqueceu os dissabores que enfrentou, Romero, certamente, superou as feridas, tratadas pelo bálsamo do tempo e pelos ungüentos da vitória. E alguns daqueles que, mesmo na surdina de ligações sob pseudônimos a emissoras de rádio e mensagens anônimas na internet, outrora o tratavam com menosprezo e grosseria, hoje o aplaudem de pé, o amam, o adoram.

Não faltam amigos entusiasmados a quem detém o poder. Só que todo poder é passageiro e, com ele, se vão os amigos de última hora. E se vão deixando feridas, marcas indisfarçáveis de sanguessugas. O poder é saboroso, por isso mesmo tão irresistível. O poder é doce, por isso atrai tantas moscas.

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