O brado de Romero Rodrigues na convenção: “Eu não tenho tutor”

O discurso do então candidato a prefeito Romero Rodrigues na convenção do PSDB, na noite de 30 de junho, não foi eloqüente nem brilhante. Mas, foi carregado de uma forte emoção, uma emoção marcante que envolveu o ambiente. A emoção de quem superava mais de um ano de ataques, sobretudo fogo amigo, que tentavam tirá-lo do páreo.

Sentado ao lado do colega Vanildo Silva, próximo à entrada do Ginásio do Premem, de gravador em punho, eu escutava o pronunciamento de um Romero quase afônico, e relembrava alguns desses bombardeios disparados contra aquele que, a partir daquela noite, tornava-se o candidato oficial do PSDB.

Na condição de mero operário da notícia, nunca tive (nem desejei ter) intimidade pessoal com políticos, mas, por ter presenciado de perto alguns dos episódios aos quais Romero se referia superficialmente em seu discurso, e notando sua voz embargada, pude imaginar a carga emocional que o prefeitável extravasava naquele instante.

E talvez isso explique o desabafo que fez, ao tratar abertamente das insinuações de adversários. “A nossa candidatura, tentaram desconstruí-la, desde o ano passado. Setores criaram as mais diversas formas e maneiras de tentar nos desestimular. Chegaram até a divulgar na imprensa campinense e paraibana que eu teria que andar e para andar precisava de Cássio como tutor”, disse Romero.

E, em seguida, surpreendendo a muitos, foi direto. “Eu gostaria, mais uma vez, de cabeça erguida, olhando nos olhos de cada um de vocês, (dizer) que eu não tenho tutor. Eu tenho uma tutora, que está aqui, bem à minha frente, que é minha mãe, que tem oitenta anos e me ensinou a ser um homem sério, a lutar, a trabalhar, a, sobretudo, ter caráter e respeitar as instituições. Essa é minha grande tutora”, bradou.

E completou, em seguida. “Para quem não sabe, eu não tenho medo, não tenho vergonha da minha história. Eu perdi meu pai aos dez anos de idade e para chegar onde cheguei tive que dar muito duro, tive que trabalhar, tive que lutar”.

Foi uma declaração contundente, uma marcação de terreno importante. Romero fez inúmeros elogios ao senador Cássio, ao ex-governador Ronaldo e a Ronaldo Filho, escolhido seu vice. Mas, cuidou de avisar a todos que não entrava no jogo para ser tutelado por ninguém. Até porque não valeria a pena tanta luta, superar tantos espinhos, vencer o próprio fogo amigo para se tornar um prefeito sem autonomia.

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