História: Exatos 42 anos após cassação do pai, Nilda discursou pela primeira vez na Câmara

A Câmara dos Deputados vai realizar hoje uma sessão solene para devolver simbolicamente os mandatos de 173 deputados cassados pela ditadura militar. Um deles, o do paraibano Pedro Gondim. Em fevereiro do ano passado, registramos, no finado Diário da Borborema, um acontecimento histórico envolvendo a cassação de Pedro e o primeiro discurso de Nilda na Câmara Municipal. Relembre:

A história às vezes reserva eventos dignos de registro. Um deles aconteceu na última segunda, dia 07, quando a estreante deputada federal Nilda Gondim fez seu primeiro discurso na Câmara Federal. Não foi o conteúdo de sua fala na tribuna que fez daquele pronunciamento um fato histórico. Foi a coincidência das datas.

Acontece que exatamente num dia 07 de fevereiro o pai de dona Nildinha, o ex-governador Pedro Moreno Gondim, teve o mandato de deputado federal e os direitos políticos cassados pelo nefando Ato Institucional Número 05. Baixado em 13 de dezembro de 1968, o AI-5 tirou Antônio Vital do Rêgo, esposo de dona Nilda, da Câmara dos Deputados em janeiro de 1969.

E, no dia 07 do mês seguinte, chegou a vez de Pedro Gondim, punido sobretudo porque, quando governador da Paraíba, mostrou-se simpático à causa das Ligas Camponesas – o que, no entender da ditadura militar, fazia dele um legítimo comunista. No dia 01 de maio de 1962, Gondim participou de um comício na Capital, quando o então presidente da República, João Goulart – número 1 na lista negra dos militares que o derrubariam do poder dois anos depois – visitou a Paraíba.

Naquele dia, em que milhares de camponeses protestaram contra a covarde execução de seu líder, João Pedro Teixeira, a mando de usineiros, Pedro Gondim fez um discurso equilibrado, mas, ainda assim, selou definitivamente seu destino político – estaria no índex do futuro regime.

Mesmo a eleição de Nilda não tendo sido nenhuma surpresa, afinal, contou com o apoio de duas figuras de peso na política paraibana, seus filhos Veneziano e Vitalzinho, é fato que sua subida à tribuna da Câmara Federal, de onde seu pai havia sido arbitrariamente defenestrado exatamente 42 anos antes, configura uma destas curvas da história que nos surpreendem.

Ao iniciar seu discurso na Câmara, Dona Nilda não teria como recordar a coincidência que ligava esta primeira segunda-feira de fevereiro de 2011 à longínqua sexta-feira, 07 de fevereiro de 1969. Duas datas que se encontram na composição um novo capítulo da história.

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