Félix Araújo completaria 90 anos neste dia 22. Morreu há quase 60 anos. E continua vivo

Ser eterno não é jamais morrer. É viver mesmo após a morte. E há homens que, embora plenamente humanos, embora desprovidos de qualquer áurea fantástica que os privilegiem, nasceram, viveram, morreram e transcenderam à imortalidade.

Félix de Souza Araújo, um jovem nascido na escaldante Cabaceiras, tornou-se eterno e eternamente enraizado na alma de Campina Grande, em cuja terra derramou sua vida, ceifada pela intolerância que corre nas veias de todos aqueles que se julgam donos do tempo, das coisas e das pessoas.

Félix viveu pouco mais de trinta anos e, ainda assim, deixou à posteridade um legado impressionante de sensibilidade poética, de humanismo prático, de coragem admirável, de um idealismo vibrante que tornou-se sua razão de viver – e morrer.

Em pouco mais de trinta anos, viveu o que muitos não viveriam ainda que vivessem muitas vidas. Tombou por uma causa, uma causa entre as tantas causas que parecem ter dirigido cada um dos seus passos.

Poderia ter tombado, como tantos, na Europa ferida pela guerra – onde esteve por vontade própria. Mas, o soldado 6362 voltou para casa. Voltou para tombar em seu próprio solo, numa batalha de princípios, numa batalha de poucos soldados.

Félix de Souza Araújo, o poeta, o comunicador, o jurista em formação, o soldado guerreiro, o homem cujo verbo incendiava as massas, o jovem líder, o político brilhante, o filho natural de Cabaceiras, o filho adotado de Campina Grande, foi apenas um homem.

Mas, um homem que, mesmo morto, tornou-se imortal.

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