Turismo de desgraça

Os deputados estaduais paraibanos acabam de criar uma nova modalidade de turismo que poderá fazer sucesso entre “aquela gente” do Centro-Sul do país e estrangeiros que resolvam aproveitar as férias aventurando-se em um périplo nos recantos do Nordeste de terras esturricadas pela estiagem, gente em condição famélica e paisagens moldadas em tons de morte e tragédia.

Sem nenhum outro efeito prático que não seja a concessão de diárias e a promoção para 2014, talvez essa famigerada “Caravana da Seca” pelo menos sirva como projeto piloto para a implantação desse novo viés econômico, que se aproveita de uma triste potencialidade natural do Nordeste. Já existe o turismo rural, o turismo de eventos o turismo de aventura. A Assembleia Legislativa vai lançar o turismo de desgraça.

Já dá para imaginar o casal de doutores, com aquelas bermudas cáqui, camisas floridas e chapelões, apontando aos filhos “aborrecentes” os meninos magros e buchudos de um sitiozinho no Cariri, a dizer: “Tá vendo!? Vocês não querem comer verduras nem o cereal matinal. Eles bem que queriam”.

Parece ridículo, e é mesmo! Mas, pior é esse escárnio proposto pela Casa de Epitácio Pessoa. Quer dizer que, para conhecer melhor a desgraça da seca, deputados estaduais precisam se embrenhar em uma viagem à custa do erário? Quer dizer que é preciso olhar no fundo do olho fundo do agricultor para compreender a extensão do problema e ouvir o que ele precisa?

Ora, senhores, tenham vergonha! Não zombem da inteligência do nosso povo e, muito menos, não escarneçam da dor, do sofrimento e da miséria que se abatem sobre nossa gente. Se querem fazer turismo (e é isso, sim, o que pretendem), se querem se promover (e isso é o que mais pretendem), que pelo menos o façam às suas próprias expensas.

Essa caravana malfadada haverá de confirmar a atual legislatura como uma das mais repudiáveis da pouco lustrosa história da Assembleia Legislativa da Paraíba.

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