O choro de Zé Luiz

Ouvi Zé Luiz chorar no rádio. Ao contrário daquela emoção de outrora, do homem que venceu a luta pela vida, agora não foram lágrimas de vitória. Foi um choro contido que escapou, como um externar de mágoas remoídas em silêncio, não digeridas, abafadas a custo numa briga entre o coração e a mente.

Foi aquele tipo de choro que ressoa como uma voz da alma que escapa quando a boca não pode – ou não quer – revelar o que transtorna o coração. Um choro sufocado, dolorido, um ruído produzido pelo choque da vontade (ou da necessidade) de libertar as palavras contra uma sensação auto imposta de calar.

É difícil ser contido no falar quando o coração está ferido porque a alma, inquieta, tenta escapar pela boca. 

Apesar da honra de ser vice-prefeito de Campina Grande, é inegável que a política tem feito muito mal a José Luiz Júnior. Aliás, a honra da posição nunca se refletiu na mesma proporção para com o homem que ocupa essa posição há quase oito anos. Zé nunca foi tratado ou reconhecido como um protagonista. E nunca agiu como tal.

O choro de hoje foi, por isso tudo, um choro antigo, envelhecido nos porões do coração. Um choro de lágrimas engrossadas por constrangimentos e humilhações públicas e diversas. De uma alma que, por vezes, ensaia um grito, porém, ao desdizer-se, recuar, ensaiar e voltar atrás, acaba impingindo-se mais um constrangimento.

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