Erros fatais na campanha do PMDB (Parte 1): Imposição, postura e murro em ponta de faca

1. A imposição de um nome por Veneziano, contrariando correligionários e base aliada

O prefeito Veneziano Vital do Rêgo contrariou Deus e o mundo ao insistir na candidatura de Tatiana Medeiros. A absoluta maioria dos seus aliados e correligionários não gostou, mas também a maioria calou-se, por não ter estatura política nem coragem de se contrapor ao prefeito.

Aliás, a opção foi um atestado de de que o prefeito falhou na condução do PMDB municipal, afinal, após quase oito anos no poder, Veneziano não conseguiu formar um sucessor dentro da legenda e resolveu trazer um nome de outro partido (Tatiana era do PSL). 

A base dividida e carregada de mágoas, correligionários desconfiados e a insegurança em torno da candidata “escolhida” formaram um caldo que desde o início dava sinais de que entornaria. A despeito do recado das urnas em 2010, quando o próprio irmão do prefeito, Vitalzinho, foi apenas o terceiro em Campina, Veneziano subestimou o adversário e superestimou seu próprio potencial.

2. A postura da candidata

Terminada a eleição, até mesmo figuras submissas do núcleo peemedebista passaram a assumir publicamente que a decantada arrogância da candidata Tatiana Medeiros atrapalhou. Não se trata, aqui, de uma crítica à pessoa ou à profissional, mas à postura da (ex)candidata.

Sem mencionar os fatos de bastidores, Tatiana levou essa postura para os debates, onde parecia confundir arrogância com segurança ou firmeza, e perdia o controle ao ser contestada por adversários. O tom da voz, a expressão e declarações absurdas, como dizer que fez mais por Campina que todos os demais prefeitáveis juntos, sedimentavam uma já pesada rejeição. Sem esquecer de outra declaração desastrosa repetida com frequência: que a crítica é um desserviço.

Essa postura também aumentava o fosso dentro da própria base, que ficou desagregada, apesar do silêncio de quase todos  e/ou das meias palavras de alguns.

3. Negação do óbvio: murro em ponta de faca

Antes e durante a campanha, a candidata e o próprio Veneziano adotaram uma linha profundamente arriscada, de negar publicamente aquilo que os cidadãos como um todo afirmavam. Caso, por exemplo, dos problemas com a coleta de lixo, caminhões abertos carregando esses dejetos, e, principalmente, da deficiência profunda de atendimento nos postos de saúde.

Negar e, pior, desqualificar quem apontava esses problemas era dar murro em ponta de faca e apostar demasiadamente na contrainformação.

Nesse segmento, aliás, cabem também os anúncios de obras e ações durante o período de campanha, como o Centro Administrativo (já lançado em 2008), a segunda UPA (inclusive com quase todo mundo ostensivamente vestindo vermelho, praticamente às vésperas da eleição) e a Guarda Civil, colocada nas ruas com efetivo diminuto e estrutura nenhuma.

Esse tipo de estratégia é uma faca de dois gumes, porque os cidadãos/eleitores já estão ficando velhacos em relação às ações administrativas de anos de campanha, de modo que, mesmo que suponhamos que não houve qualquer finalidade relacionada à campanha, a imagem que acaba sendo transmitida é outra.

Na segunda parte, comentaremos mais detidamente às ações de campanha, inclusive o guia.

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