Artigo: Condores versus Bacuraus

Em Campina Grande, dois grupos polarizam fortemente a disputa política. Na briga pelo poder, a batalha é ferrenha, por cada cabeça, cada coração, cada palmo da cidade. Os membros das duas facções digladiam, muitas vezes de forma a revelar nenhuma civilidade. Alguns, mais exagerados (e não são poucos), sem a menor preocupação sequer com o senso do ridículo, fazem de tudo para agradar seus caciques partidários, em torno dos quais orbitam dezenas, centenas de famintos curumins políticos.

Saindo da velha teoria, dos discursos prontos e repetitivos, não existe republicanismo ou espírito público. Pensar nos pobres, na gente mais humilde, nas necessidades das classes menos favorecidas, é só mote de comícios e arengas de campanha. De resto, é cada lado por si, numa disputa paroquial, mesquinha, caolha, que lança sobre a cidade e sobre os campinenses somente um ar de atraso, um bafo de decadência, e efetivamente empaca o desenvolvimento da Vila Nova da Rainha.

Alto lá! Que ninguém se quede a imaginar que tratamos das lides atuais da política local. O cenário ora exposto remete à fase final da Velha República, quando a política daquela pequena Campina Grande era polarizada por dois grupos, denominados condores e bacuraus. Os condores eram chefiados pela família Lauritzen, cujo patriarca é o homem que por mais tempo governou a cidade, duas décadas, Cristiano Lauritzen. Já os bacuraus tinham como chefe o coronel Salvino de Figueiredo.

Com olhos fixos no poder e a conseqüente disputa paroquial como princípio e fim de tudo que era plano e projeto, estes dois blocos envolveram a cidade em um círculo vicioso, no reme-reme inútil do poder pelo poder. Hoje, essa história parece soar como evidência de um passado tão remoto quanto retrógado, mas, para terror nosso, observando com frieza, perceberemos que, sob a bandeira da polarização vigente, as práticas em uso neste início de século são por demais similares às ferramentas daquele princípio de século passado.

Publicado na nossa coluna no extinto Diário da Borborema em 09/11/2011

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