Vereadores discutem caso Ortotrauma, oposição modera discurso e governista lança desafio que cala adversários

O debate na Câmara Municipal a respeito do chamado caso Ortotrauma, que revelou a existência de um contrato entre a Secretaria de Saúde e a clínica da qual a secretária Tatiana Medeiros é sócia, foi bem menos veemente do que se poderia esperar.

O vereador João Dantas (PSD) se disse constrangido. “Estou apenas repetindo o que disse a imprensa, não estou fazendo cavalo de batalha e estou nessa tribuna constrangido, porque temos aqui o vereador Cassiano Pereira, que é filho da nobilíssima secretária doutora Tatiana Medeiros, a mais citada, pessoa do meu relacionamento de amizade, relacionamento antigo através do seu honrado pai... Mas, ficamos numa situação do molusco, entre o mar e o rochedo”. Como vereador eleito pelo povo não poderia deixar de justificar

“Nós pedimos esclarecimentos, para que as pessoas envolvidas não sejam injustiçadas, nem, por outro lado, caso se justifique a denúncia, a cidade fique prejudicada. A luz da Constituição nos diz que a secretária da Saúde está inelegível como candidata a sucessão do atual prefeito”, concluiu Dantas.

Em resposta, Pimentel Filho (PMDB) defendeu a secretária. “Quero esclarecer que a empresa não é da doutora Tatiana. São vários cotistas da clínica e cada um faz a sua produtividade. O outro aspecto é que a clínica teve esse serviço contratado quando a doutora Tatiana não era secretária do Município. Então, o SUS contratou esse serviço muito antes da doutora ser secretária. O problema é que existem dois médicos que fazem esse exame. Só dois. Uma é a doutora Tatiana e outro não quer fazer pelo SUS, porque o SUS paga muito pouco. Foi contratada a Clínica Ortotrauma porque Campina ia ficar sem esse exame”, argumentou Pimentel.

O peemedebista ainda justificou que a ética médica se impõe sobre quaisquer outras discussões éticas. “Está tudo garantido pela lei. A única coisa que qualquer pessoa pode levantar é a questão ética. Hoje a doutora é secretária, mas quando foi contratado o serviço não era. Tem a questão da ética médica. Você vai deixar o povo de Campina Grande sem o exame? Um pobrezinho que precisa do exame vai ter que pagar R$ 250 no particular porque não tem no SUS, porque ninguém quer fazer. A doutora continuou a fazer os exames para dar assistência àqueles que são mais necessitados”, pondeu.

Pimentel Filho ainda fez um desafio aos seus pares, dirigido, evidentemente, para a oposição. “Qual dos senhores vereadores faria um requerimento para a Clínica Ortotrauma deixar de fazer o exame por causa desse ponto em que estão se insurgindo algumas pessoas? Quem daqui faria isso? Qual dos senhores vereadores quer tirar esse exame daqueles que não podem pagar?”, questionou. Ninguém respondeu.

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