UPA não é hospital. Por que uma palavra faz tanta diferença?

Quando a mídia institucional da PMCG resolveu tratar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) como Hospital de Pronto Atendimento, não confrontou apenas o alfabeto, “convertendo” U em H. A coisa vai além porque, ao contrário do que alguém pode imaginar, não se trata somente da troca de uma palavra por outra.

O Governo Federal, ao criar a UPA, teve o zelo de deixar claro que se trata de um serviço de atendimento intermediário. Algumas prefeituras, ao contrário do que ocorre em Campina, procuraram justamente esclarecer à população que UPA não é hospital. Por que tanto cuidado?

Uma das principais razões é que as unidades não estão preparadas para prestar determinados atendimentos, em casos mais graves, que só podem ser realizados por um hospital devidamente equipado e com os especialistas necessários. Numa situação de emergência, perder tempo buscando socorro onde não há como esse atendimento ser devidamente prestado pode ser fatal.

Além disso, uma demanda por atendimento de urgência inviabilizaria o serviço intermediário para o qual as unidades foram estrategicamente criadas.

Assim, às vésperas da inauguração da unidade, a mídia institucional do município deveria estar empenhada em explicar detalhadamente aos campinenses sobre quais atendimentos a UPA pode promover. Ao invés disso, porém, a troca planejada de palavras confunde a população.

Por que a troca?

Apesar das conseqüências graves que essa confusão pode trazer, o uso da palavra “hospital” em referência à UPA tem, claro, uma razão estratégica. Ocorre que o termo UPA ou Unidade de Pronto Atendimento não gera, junto à massa, o mesmo impacto que a palavra hospital. Eis o xis da questão.

Não se trata apenas de usar um termo ao invés de outro. Há uma “adequação” estratégica, indevida e arriscada com um propósito bem claro. Não há como considerar uma estratégia desse tipo como algo de somenos. 

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