Eleições UEPB: Agassiz defende democratização administrativa e orçamento participativo

Agassiz Almeida Filho tem 37 anos e há oito é professor da UEPB. Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Coimbra, doutorando em Direito Constitucional pela Universidade de Salamanca, Agassiz é professor de Direito no Centro de Humanidades de Guarabira. Possui mais de dez livros publicados. O jovem professor, que atualmente é diretor adjunto do Centro de Humanas, mostra convicção quanto ao seu objetivo: conquistar o reitorado. Agassiz foi o terceiro entrevistado de A União, com reprodução aqui no blog. 

Porque o senhor quer ser reitor da UEPB? Qual a sua história com a Estadual?

A UEPB é um patrimônio da Paraíba e é uma universidade que atingiu seu ponto de maturidade. Quero ser reitor porque acredito em três idéias que podem levar a universidade a ser o que almejamos no século XXI: A consolidação da autonomia, reestruturação administrativa e democrática e o orçamento participativo. A minha história com a Estadual é de luta e empenho. Por vir de um centro periférico, em Guarabira, sabemos que diversos centros enfrentam sérias dificuldades. Além disso, convivo com a UEPB desde o início da minha vida profissiona. Aqui me realizo como profissional e como pessoa.

Caso o senhor seja eleito reitor da UEPB, o que aponta como principal desafio?

Há dois desafios fundamentais e imediatos: o primeiro, a consolidação da autonomia. E o outro desafio é tão importante quanto o primeiro, tendo a ver com democratizar a gestão da UEPB.

O senhor pretende abrir novos campi? É possível a universidade avançar pelo estado sem comprometer a qualidade do ensino?

Irei diferenciar uma universidade estadual de uma federal, que se encaixará com a indagação. A vantagem que a estadual possui é em ser próxima da comunidade e receber as influências da sociedade. Naturalmente, qualquer projeto que pretenda levar a UEPB adiante tem que fazer o dever de casa: estruturar dignamente os campi que existem na atualidade. É importante abrir novos campi, mas primeiramente é fundamental organizar os que já possuímos. Feito isso e na medida em que o orçamento vá se consolidando, é possível analisar novas aberturas.

A UEPB tem problemas relacionados a baixo desempenho de alguns cursos? Quais?

Acredito que os principais problemas enfrentados, em geral, são a carência no quadro de professores, burocratização excessiva. E, fundamentalmente, problemas ligados ao desempenho conectados com a infraestrutura, como a existência de um acervo bibliográfico adequado para que os alunos possam se aprofundar. O baixo desempenho não se restringe somente ao professorado, mas destaco questões cruciais como a inexistência de uma residência ou restaurante universitário. Alunos que se deslocam de suas respectivas cidades para estudar e não têm condições para arcar com as despesas, o curso não tem como alcançar um alto nível porque o aluno tem dificuldades em desenvolver um alto desempenho.

Existe um projeto para otimização da infraestrutura do campus de Bodocongó. É possível tornar esse projeto uma realidade?

Sim, é possível. Mas é preciso pensar na UEPB em conjunto, os projetos que estão em andamento devem ser tomados com cuidado. Eu quero dialogar com a UEPB de maneira franca, como é que devemos aperfeiçoar seus recursos. Então, deverá ser analisado em até que ponto deve-se avançar de maneira que os professores, técnicos e alunos de Bodocongó participem do diálogo.

É possível manter uma política de valorização do professor e dos servidores técnicos sem estourar o orçamento?

Com certeza. Primeiro, gerir uma universidade passa pela capacidade de dialogar pela inclusão dos profissionais. É possível avançar pelo caminho da adição salarial e reposição de perdas inflacionárias, possibilitando o acesso para o diálogo com as forças que integram o Governo da Paraíba. A valorização também passa por processo de inclusão das equipes nas questões políticas efetivamente.

Caso seja eleito, ao assumir tem planos para promover algum enxugamento da estrutura da universidade, sobretudo no que se refere a pessoal comissionado e terceirizados?

Todos aqueles que fazem a UEPB, os efetivos, comissionados e terceirizados, precisam ser valorizados e pensados com dignidade. Buscarei qualidade e que cada um desempenhe adequadamente suas funções. Quem abraçar as causas, independente de seu cargo, terá todo o apoio da reitoria. Aqueles que não fizerem isso, naturalmente terão que assumir a responsabilidade pela falta de comprometimento.

Como o senhor analisa a atual gestão, que tem à frente, desde 2004, a reitora Marlene Alves?

A gestão da professora Marlene buscou um caminho fundamental para nós, que foi a conquista e a tentativa de consolidação da autonomia. Quase conseguiu consolidar. No que diz respeito à autonomia, o objetivo foi conquistado. Mas, como qualquer gestão, faltam os aprimoramentos. Avalio como positivo, mas pretendo dar um passo adiante reestruturando administrativamente a UEPB, pois a gestão atual é politicamente muito concentrada.

Quem o senhor apoiou nas eleições para reitor de 2004 e 2008?

Nas eleições de 2004, eu estava chegando à universidade, e minha participação foi muito modesta. Em 2008, apoiei a reeleição da professora Marlene, tendo em vista que era candidata única.

Há, nesse momento, um desgaste na relação entre o Governo do Estado e a reitora Marlene Alves. Como o senhor analisa essa crise?

Acho que o desgaste ocorrido devido a esses atritos entre a reitora Marlene e o Governo foi devido a enfrentamentos pessoais. Não acho que a relação da universidade e o Governo tenham entrado em crise para a qual não haja solução. Houve o desgaste, mas existe o caminho para ser superado.

O fato de a reitora Marlene Alves ser pré-candidata a prefeita de Campina Grande interfere de alguma forma nessa crise?

É possível interferir na medida em que alguns interlocutores do Governo podem pensar que a professora assumiu a bandeira da autonomia por conta da sua pré-candidatura. Não acredito que a reitora tenha tomado tal atitude. Houve uma quebra da autonomia e era preciso se posicionar.

Caso seja eleito, como o senhor pretende contornar essa crise de relações com o governo? É possível chegar a um consenso?

É possível atingir o consenso. Nos primeiros meses, a principal tarefa do reitor será contornar essa crise. O consenso é possível porque os interesses da universidade e do Estado convergem para o mesmo ponto: desenvolver a economia e a cultura, fomentar conhecimentos para a Paraíba.

Falta transparência na UEPB? É possível tornar a administração mais transparente?

Sempre é possível aumentar a transparência das instituições, o que implica dizer que a administração poderia ter sido mais transparente. Quando me refiro à transparência, não é divulgar os dados técnicos ou expor planilhas de despesas. É necessário dar satisfações às pessoas regularmente.

No ano passado e também este ano, houve sérios debates no âmbito da universidade diante de propostas de greve. Qual foi sua posição nestes dois momentos? Foi contra ou a favor da greve?

No ano passado, tive uma preocupação fundamental sobre a questão da autonomia. Fui contra a greve. Seria politicamente equivocado fazer a greve porque as discussões com o Governo ainda não tinham chegado ao seu ponto final. Em relação à greve deste ano, não gosto de discutir questões salariais nas vésperas de eleições. É precipitado, pode levar a decisões equivocadas. Os motivos são legítimos porque há uma perda salarial que precisa ser reposta de alguma maneira, mas acho precipitado entrar em greve dias antes da eleição para reitor.

O processo eleitoral municipal, com eleição para prefeito e vereador, de alguma forma tem interferido na UEPB nos últimos meses? E pode estar interferido no processo para eleição da reitoria?

Quero pensar que não. Sou radicalmente contrário a confusão que pode existir entre administração da UEPB e questões políticas partidárias. São realidades diferentes que não devemos confundir. Pretendo avaliar que a eleições municipais em Campina Grande não devem interferir no processo de eleição da reitoria. Como candidato a reitor, não sinto esse “choque”.

É possível manter uma campanha pela reitoria em alto nível? Essa eleição pode dividir os professores e servidores técnicos com efeitos que se prolonguem até depois do processo eleitoral?

Tanto possível quanto fundamental. A campanha é para discutir propostas e idéias. As discussões devem ser acerca do que é uma universidade, qual o seu papel. No caso atual, que comporta cinco candidatos a reitor, faz com que haja uma divisão politicamente. No entanto, o dividir não implica a separação das pessoas. As divisões das chapas, no que depender de mim, não existirá após a conclusão do processo eleitoral.

Como enxerga o futuro da UEPB a curto, médio e longo prazo?

Enxergo como uma grande universidade. A curto prazo, vejo amadurecimento e uma luta constante pelo status de implantação e consolidação. A médio prazo, consigo ver todos os centros integrados em torno do mesmo projeto político acadêmico. Com menos problemas de infraestrutura, com maior democratização. A longo prazo, de quinze a vinte anos, um centro de excelência no que diz respeito a produção do conhecimento ao lado da autodeterminação humana. Banheiros quebrados, faltas de salas de aulas não serão motivos para nos preocuparmos, mas sim, qual será o tipo de pesquisa destinado para o Estado, quais os novos cursos de graduação que a universidade poderá trabalhar.

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Questionário: Edson Souza e Lenildo Ferreira
Repórter: Kalyenne Antero

Um comentário

Sergio disse...

Amigo Lenildo

Segundo fontes seguras ligada ao Vice-Prefeito Jose Luiz negam qualquer intenção do mesmo deixar de disputar uma vaga para vereador nas eleições deste ano. Só uma ¨traição¨poderia deixar o direito de voltar a Camará Municipal aonde começou sua carreira politica sempre vitoriosa.

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